A sucessão do patrimônio do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, morto em janeiro deste ano, passou a ser disputada judicialmente após a exclusão voluntária de um possível herdeiro. Andreas von Richthofen, sobrinho do médico, optou por não integrar o processo, concentrando o conflito entre sua irmã, Suzane von Richthofen, e Silvia Magnani, prima e ex-companheira de Miguel.
Sem deixar testamento, Miguel teve seus bens submetidos às regras legais de sucessão. O patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões e o processo, que tramita nas varas de Família e Sucessões, também discute quem será responsável pela administração do espólio.
A disputa ganhou novo capítulo após Suzane retirar da garagem da residência do tio, no bairro do Campo Belo, em São Paulo, um veículo Subaru XV, ano 2021, avaliado em aproximadamente R$ 200 mil. O automóvel integra o espólio e foi retirado antes da definição judicial sobre quem assumirá a função de inventariante.
Segundo informações publicadas por O Globo, a defesa de Suzane sustenta que a retirada do carro teve como objetivo preservar o patrimônio, diante de relatos de invasões e do desaparecimento de objetos da casa. Os advogados afirmam que o veículo foi guardado em local seguro e permanece sem uso, aguardando decisão judicial.
Além do automóvel, Miguel Abdalla Netto possuía pelo menos três imóveis na capital paulista: a casa onde residia, um imóvel recebido por doação do pai e uma sala comercial no Condomínio Bonnaire Office, localizado entre as regiões do Butantã e de Santo Amaro.
No processo, Suzane reivindica prioridade na sucessão por ser parente consanguínea mais próxima. Silvia Magnani, por sua vez, afirma ter mantido união estável com o médico por mais de dez anos e busca reconhecimento como herdeira, além de pleitear a administração do inventário.
A defesa de Silvia também tenta retomar decisões judiciais do passado envolvendo a família. Após o assassinato dos pais de Suzane, em 2002, foi o próprio Miguel quem obteve na Justiça o reconhecimento da indignidade da sobrinha para herdar os bens da família, então avaliados em cerca de R$ 10 milhões. Esse entendimento está sendo usado como argumento para afastá-la da sucessão atual.
No andamento do processo, a juíza responsável determinou a juntada das certidões de óbito dos pais de Suzane, Manfred e Marísia von Richthofen, para comprovação do vínculo familiar. Os documentos registram que ambos morreram assassinados com objetos contundentes e contêm a anotação judicial que retirou da filha o direito à herança.
A magistrada também exigiu que Silvia apresente provas da alegada união estável, com demonstração de convivência pública e duradoura. Ela informou possuir um documento que comprovaria quase 14 anos de relacionamento, mas declarou ainda precisar localizá-lo para anexar aos autos.
Miguel Abdalla Netto morreu aos 76 anos, em 9 de janeiro de 2026, dentro de sua própria casa. Um vizinho, que tinha as chaves do imóvel, entrou na residência após notar a ausência prolongada do médico e o encontrou sentado em uma poltrona, já em avançado estado de decomposição.
O atestado de óbito aponta causa da morte como indeterminada e prevê a realização de exames complementares. Por esse motivo, o caso passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil. O sepultamento ocorreu em Pirassununga, no interior de São Paulo. Suzane não compareceu à cerimônia, enquanto Silvia foi a única pessoa presente.
Em nota enviada a O Globo, as advogadas de Silvia afirmaram que decisões tomadas sem autorização judicial colocaram bens do espólio em risco. A defesa defendeu que o inventário seja conduzido por alguém comprometido com a preservação do patrimônio e destacou que Silvia auxiliou nos procedimentos do sepultamento e colaborou com as autoridades nas apurações relacionadas à morte e à residência do médico.