A saída de Ilhéus da rota da MSC Cruzeiros na temporada 2026/2027, anunciada ao longo da semana, não tem relação com recente protesto de taxistas, no último dia 22, como chegou a circular em parte da imprensa local. Embora a armadora realmente não vá operar no destino na próxima estação, a decisão já estava tomada e anunciada meses antes do episódio, como mostra o planejamento oficial da companhia.
De acordo com apuração do Portal World Cruises, o Porto de Ilhéus já não integrava os itinerários divulgados pela MSC para a próxima temporada, apresentados ainda em outubro do ano passado. Desde o anúncio, não havia previsão de escalas regulares na cidade. A ausência está ligada a uma ampla reestruturação da operação da armadora, que promoverá uma troca completa de navios e uma revisão de rotas, com redução da oferta de cruzeiros para o Nordeste brasileiro.
Na prática, a MSC escalará apenas um navio para roteiros regulares na região na próxima temporada. O MSC Virtuosa, da classe Meraviglia, substituirá o MSC Seaview e fará cruzeiros de sete noites com saída de Santos, incluindo paradas em Salvador, Maceió e Búzios, mas sem escalas no sul da Bahia. Com isso, Ilhéus fica fora do novo desenho da rota.
Outro fator determinante é a saída do MSC Armonia do mercado brasileiro. Atualmente, o navio é responsável pelas escalas semanais no Porto de Malhado com o roteiro “Super Nordeste”, que parte do Rio de Janeiro e passa por Salvador, Maceió e Ilhéus. A embarcação deixará de operar no país e será substituída, no Rio, pelo MSC Lirica, que terá foco em itinerários pelo Sul e Sudeste, com embarques também em Itajaí e Paranaguá e paradas em destinos como Ilhabela, Angra dos Reis e Búzios.
Veículos locais chegaram a atribuir a saída de Ilhéus a uma suposta retaliação da MSC ao protesto de taxistas, que bloquearam o acesso de ônibus turísticos ao porto. Algumas publicações chegaram a afirmar que a decisão teria sido tomada no próprio dia da manifestação, o que não se sustenta diante do histórico de anúncios da companhia.
Análises mais amplas indicam que a exclusão de Ilhéus dos roteiros internacionais já vinha sendo desenhada há anos, por uma combinação de fatores operacionais, como questões logísticas, custos portuários e a crescente competitividade de outros destinos do Nordeste, a exemplo de Maceió. A capital alagoana, inclusive, passou a ocupar o espaço de Ilhéus em algumas rotas ainda antes da pandemia, mudança noticiada em 2020 e efetivada a partir da temporada 2021/2022.