Fachadas, memória e cultura popular são tema de nova mostra na Galatea Salvador

Fachadas, memória e cultura popular são tema de nova mostra na Galatea Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Adenor Gondim

Publicado em 30/01/2026 às 10:30 / Leia em 4 minutos

A Galatea Salvador inicia sua programação de 2026 com duas exposições simultâneas que reforçam o diálogo entre arte contemporânea, território e memória cultural. Em parceria inédita com a galeria Nara Roesler, a unidade baiana inaugura nesta sexta-feira (30) a coletiva “Barracas e Fachadas do Nordeste”, enquanto o espaço expositivo do Cofre recebe a individual “Gabriel Branco: A luz sem nome”. As aberturas acontecem em sintonia com o calendário festivo da cidade, às vésperas da celebração de Iemanjá, no dia 2 de fevereiro.

Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea, e Alana Silveira, diretora da unidade Salvador, “Barracas e Fachadas do Nordeste” reúne mais de 60 obras de Montez Magno, Mari Ra, Zé di Cabeça, Fabio Miguez e Adenor Gondim. A exposição parte das arquiteturas vernaculares presentes no cotidiano urbano nordestino, como fachadas, platibandas ornamentais e barracas de festas populares, para propor um diálogo entre diferentes gerações, linguagens e suportes, incluindo pintura, fotografia e trabalhos em técnicas diversas.

Fábio Miguez (1962), Itaparica I, da série Bahia

Esses elementos aparecem não apenas como construções funcionais, mas como formas carregadas de memória social e cultural, que articulam práticas cotidianas, circulação urbana e expressão simbólica. Adenor Gondim apresenta uma série fotográfica inédita dedicada às barracas das festas de largo de Salvador, enquanto Montez Magno é representado por obras das séries Barracas do Nordeste (1972–1993) e Fachadas do Nordeste (1996–1997), nas quais referências da cultura popular são sintetizadas por meio da abstração geométrica.

Artista representado pela Nara Roesler, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico arquitetônico, estruturando sua pintura a partir da geometria e da cor. Para a mostra, realizou uma viagem de pesquisa à capital baiana e à Ilha de Itaparica, da qual resulta uma série inédita de obras. A dimensão urbana e migratória se amplia com Zé di Cabeça, criador do Acervo da Laje, cujas pinturas derivam de um inventário visual do subúrbio ferroviário de Salvador, e com Mari Ra, que aproxima fachadas de Recife e Olinda encontradas na Zona Leste de São Paulo, revelando conexões formais produzidas pelos fluxos migratórios nordestinos.

Gabriel Branco (1997), sem título

Paralelamente, a Galatea Salvador apresenta “Gabriel Branco: A luz sem nome”, primeira exposição individual de pinturas do artista paulistano Gabriel Branco (1997). A mostra reúne dez obras inéditas realizadas em 2025, com texto crítico de Paulo Monteiro, e marca um novo momento de sua trajetória, aprofundando uma pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição.

Trabalhando com óleo e cera de abelha sobre tela, Branco constrói superfícies luminosas e instáveis, nas quais formas orgânicas emergem e se dissolvem, criando um campo ambíguo entre o abstrato e o figurativo. O corpo surge como referência inicial dessas formas, que se reorganizam e se transformam sob a ação da luz, elemento central também em sua produção fotográfica.

Zé di Cabeça (1974), Casa na Rua Chile, Plataforma

No texto crítico, Paulo Monteiro observa que “como toda arte abstrata que se livrou do apego aos argumentos racionais da vanguarda, a pintura de Gabriel é livre, e nessas formas podemos ver o que quisermos ver: um órgão sexual, ou o começo de uma onda, um astro no céu, a luz do sol. Tudo isso está ali presente, pulsando. E, de fato, não se está falando aqui da universalidade da arte abstrata. Estamos diante do avesso dela”.

As duas mostras e a colaboração com a Nara Roesler celebram os dois anos da Galatea em Salvador e reafirmam o papel da galeria como espaço de articulação no circuito de arte contemporânea. Desde sua chegada à cidade, em janeiro de 2024, a Galatea tem atuado como plataforma de intercâmbio entre artistas, curadores, galerias e público, em diálogo com o processo de revitalização do centro histórico e o fortalecimento da vida cultural da capital baiana.

Adenor Gondim (1950), Barraca de festas de largo da Bahia

As mostras ficam em cartaz até 30 de maio, podendo ser visitadas de terça a quinta-feira, das 10h às 19h, às sextas, das 10h às 18h, e aos sábados, das 11h às 15h. Mais informações: @galatea.art_.

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