Wagner Moura diz à Variety que Brasil defende a democracia melhor que os EUA: ‘Vocês não sabem o que é ditadura’

Wagner Moura diz à Variety que Brasil defende a democracia melhor que os EUA: ‘Vocês não sabem o que é ditadura’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Dan Doperalski/Variety

Publicado em 29/01/2026 às 19:03 / Leia em 3 minutos

Em entrevista à revista norte-americana Variety, publicada nesta quinta-feira (29), o ator baiano Wagner Moura fez uma análise sobre o cenário político global. Indicado ao Oscar de Melhor Ator por sua atuação em “O Agente Secreto”, o brasileiro comparou a resposta do Brasil e dos Estados Unidos frente a ameaças autoritárias, afirmando que as instituições brasileiras agiram com mais rigor.

Moura argumentou que a história política do Brasil cria uma barreira natural contra o flerte com o autoritarismo, algo que falta à cultura norte-americana. “Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso, como é essa sensação ou o quanto isso é ruim”, disparou o ator.

Para ele, o desfecho das crises recentes nos dois países ilustra essa diferença. O artista destacou a celeridade da justiça brasileira em punir os responsáveis por atos antidemocráticos.

 

declarou.

A conversa girou em torno do filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que concorre em quatro categorias no Oscar 2026. Na trama, Moura vive um professor que foge da ditadura e retorna ao Recife anos depois. Segundo o ator, a obra reflete o clima de tensão vivido no país nos últimos anos.

“Esse é um filme que nasceu de como eu e Kleber nos sentimos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. Como nos sentíamos em relação ao nosso papel como artistas. Isso acontece lentamente. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas assumem o controle”, explicou.

O ator também comentou sobre a mudança na percepção da cultura nacional, celebrando o momento de reconhecimento internacional do cinema brasileiro após um período de hostilidade interna.

“A atenção que esses filmes brasileiros estão recebendo, especialmente depois que a extrema-direita no Brasil começou a demonizar os artistas, é especial”, disse ele.

Moura completou o raciocínio traçando mais um paralelo com os EUA: “A extrema-direita era eficiente em demonizar isso e dizer que estávamos roubando dinheiro do governo. Soa familiar?”.

Sobre a indicação ao prêmio máximo do cinema, Wagner manteve os pés no chão, definindo o reconhecimento como um momento lindo, mas passageiro.

“Abracei minha esposa e meus filhos, e a vida continuou. Isso é ter os pés no chão. (…) Mas estou nessa há tempo suficiente para entender que isso não é a realidade. Quando a emoção passar, voltarei a ser marido e pai”, concluiu.

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