Um novo livro reacende o debate sobre a identidade de um dos nomes mais influentes da literatura mundial. A obra The Real Shakespeare: Emilia Bassano Willoughby, escrita por Irene Coslet e com lançamento previsto para 30 de março no Reino Unido, sustenta que William Shakespeare não teria sido o autor das peças e poemas atribuídos a ele.
Segundo a autora, o responsável pelo cânone shakespeariano seria, na verdade, Emilia Bassano, uma mulher negra, judia e poetisa inglesa que viveu durante o período elisabetano. A tese confronta a visão tradicional de que Shakespeare foi “um homem branco de Stratford”, associado historicamente às obras Romeu e Julieta, Hamlet e Rei Lear.
“O debate sobre a identidade do poeta mais amado de todos os tempos e ‘pai’ do mundo de língua inglesa ainda persiste”, afirma a descrição oficial do livro. O texto acrescenta que, após gerações de pesquisadores questionarem a autoria atribuída ao dramaturgo, Irene Coslet apresenta uma nova interpretação baseada em documentos históricos. “Agora, neste livro intrigante e bem documentado, Irene Coslet demonstra conclusivamente que Shakespeare não era um homem, mas uma mulher: uma dama de pele escura, de origem judaica, nascida em uma família de músicos da corte de Veneza. Seu nome era Emilia Bassano”, diz o material de divulgação.
De acordo com a editora britânica responsável pela publicação, a autora fundamenta sua tese em uma “reavaliação de documentos históricos frequentemente negligenciados”. A obra é descrita como “astuta, arrepiante e profunda”, reunindo evidências que, segundo Coslet, sustentariam a autoria feminina do conjunto de textos tradicionalmente atribuídos a Shakespeare.
Além da discussão sobre autoria, o livro também aborda o contexto social da época. A sinopse afirma que a obra trata da condição das mulheres na Inglaterra elisabetana e jacobina, defendendo que o pensamento feminista já existia naquele período. “Revela não só que Shakespeare era uma mulher, mas também que ela defendia as mulheres”, diz o texto, que destaca ainda a relação entre Emilia Bassano e a rainha Elizabeth I.
A vida de William Shakespeare é, há séculos, alvo de análises acadêmicas e teorias alternativas. A escassez de registros detalhados sobre sua trajetória alimentou especulações de que o nome poderia ser um pseudônimo ou representar um autor coletivo, tema recorrente em estudos acadêmicos e produções cinematográficas.
Documentos históricos amplamente aceitos indicam que Shakespeare teria se casado aos 18 anos com Anne Hathaway, com quem teve três filhos: Susanna, Hamnet e Judith.