Instalação de placa marca reconhecimento público do Cemitério dos Africanos em Salvador

Instalação de placa marca reconhecimento público do Cemitério dos Africanos em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 28/01/2026 às 18:53 / Leia em 3 minutos

A instalação de uma placa no estacionamento do Complexo da Pupileira, em Salvador, marcou na manhã desta segunda-feira (26) o reconhecimento público do sítio arqueológico Cemitério dos Africanos. O ato contou com a participação do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), por meio do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac).

O coordenador do Nudephac, promotor de Justiça Alan Cedraz, esteve presente na cerimônia, que reuniu também os pesquisadores Silvana Olivieri e Jeanne Almeida, responsáveis pelo estudo arqueológico que levou ao reconhecimento do local pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Representantes do Iphan, lideranças religiosas e integrantes da sociedade civil também participaram do ato.

O espaço está interditado desde outubro, quando o MPBA recomendou à Santa Casa de Misericórdia da Bahia a suspensão do uso do estacionamento frontal da Pupileira. A medida foi tomada após parecer técnico do Iphan e o registro do local como sítio arqueológico no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA/SGPA).

Segundo Alan Cedraz, a afixação da placa simboliza mais do que o encerramento de uma etapa inicial do processo. “É um momento marcado pelo diálogo entre a Santa Casa, instituições públicas, sociedade civil e lideranças religiosas. Também tem um caráter simbólico por ocorrer próximo à data da Revolta dos Malês, e aponta para a construção de um espaço que vá além da memória das violações de direitos humanos”, afirmou.

O promotor destacou ainda o valor espiritual do sítio arqueológico e a necessidade de uma atuação sensível e contínua, em diálogo com lideranças religiosas e movimentos sociais negros. “Trata-se de avançar a partir de uma perspectiva que busque reverter um profundo processo de aterramento e apagamento histórico”, completou.

A chefe da Divisão de Apoio Técnico do Iphan, Paula Cardoso, ressaltou que o local está formalmente protegido pela legislação arqueológica. “É uma contribuição que nasce da pesquisa científica e do conhecimento técnico, e que impacta a vida de milhares de pessoas que se relacionam com esse espaço de diferentes formas”, afirmou.

A instalação da placa ocorreu após pedido de apoio dos pesquisadores Jeanne Dias e Silvana Olivieri ao MPBA, com aprovação do Iphan e anuência da Santa Casa de Misericórdia da Bahia.

 

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia