“Divididos, somos frágeis”, diz Lula ao defender integração na América Latina

“Divididos, somos frágeis”, diz Lula ao defender integração na América Latina

Redação Alô Alô Bahia

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Agência Brasil

Ricardo Stuckert / PR

Publicado em 28/01/2026 às 16:34 / Leia em 3 minutos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países da América Latina e do Caribe só conseguirão enfrentar seus desafios estruturais por meio da atuação conjunta. A declaração foi feita nesta quarta-feira (28), durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá.

Ao discursar na sessão inaugural do evento, Lula defendeu o fortalecimento da integração regional e ressaltou que a fragmentação enfraquece os países do bloco. “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, afirmou, ao destacar que a região reúne “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” capazes de sustentar uma presença mais relevante no cenário global.

O presidente ponderou que o avanço da integração depende do compromisso das lideranças regionais com mecanismos institucionais sólidos e da capacidade de conciliar os diferentes interesses nacionais. Segundo ele, ainda falta convicção política sobre os benefícios de um projeto mais autônomo de inserção internacional.

Nesse contexto, Lula chamou atenção para as riquezas naturais da região, que, segundo ele, permanecem subaproveitadas e podem garantir uma inserção mais competitiva na ordem global. “Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista”, disse.

Entre esses ativos, o presidente citou o potencial energético, incluindo reservas de petróleo e gás, a geração hidrelétrica, os biocombustíveis e as fontes nuclear, eólica e solar. Também destacou a presença da maior floresta tropical do planeta, além da diversidade de solos e climas e dos avanços científicos e tecnológicos voltados à produção de alimentos.

Lula mencionou ainda a abundância de recursos minerais, como minérios críticos e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e digital. “Minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países”, afirmou.

De acordo com o presidente, a região reúne um mercado consumidor superior a 660 milhões de pessoas, não enfrenta conflitos graves entre seus países e, em sua maioria, é governada por líderes eleitos democraticamente.

“A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém”, declarou.

Ao encerrar o discurso, Lula reforçou que nenhum país latino-americano conseguirá, isoladamente, resolver seus problemas históricos. “Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina, sozinho, achar que vai resolver os problemas. Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso povo teve. Precisamos mudar de comportamento. Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países”, concluiu.

Convidado especial do evento, o presidente brasileiro foi o segundo a discursar, logo após o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. A previsão é que Lula retorne ao Brasil ainda nesta quarta-feira.

O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe segue até o dia 30.

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