Um dos mais importantes equipamentos culturais de Salvador, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira realizou, com o apoio do Ministério da Cultura, a maior repatriação de obras de arte afro-brasileiras da história do Brasil. Ao todo, 666 peças de 135 artistas que integravam uma coleção privada há mais de 30 anos, passam a compor o acervo do museu.
“O retorno dessas obras ao Brasil é algo fundamental para o enriquecimento do acervo e patrimônio artístico brasileiro, mas, principalmente, é de grande importância para o fortalecimento da nossa identidade e reconhecimento enquanto povo”, disse a ministra Margareth Menezes.
As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro, após um complexo processo logístico internacional, que envolveu embalagem especializada, adequação às normas de conservação museológica, trâmites alfandegários e transporte técnico especializado, que contou com o suporte da Alfândega da Receita Federal em Salvador.
Sobre a doação
O conjunto de obras retorna ao Brasil por meio da doação do acervo Con/vida, coleção organizada pelas norte-americanas Bárbara Cervenka, artista plástica, e Marion Jackson, historiadora da arte, que dedicaram décadas à salvaguarda da produção artística afro-brasileira.
Entre os artistas presentes no acervo estão nomes fundamentais da produção afro-brasileira, como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia, Manoel Bonfim, entre muitos outros, abrangendo diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas.
Composta por pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, estampas e outras tipologias, a coleção revela a riqueza estética, simbólica e política das produções afro-brasileiras, evidenciando narrativas, técnicas e imaginários historicamente marginalizados pelas instituições culturais hegemônicas.