Direto da Faria Lima
A consolidação do modelo consultivo no mercado financeiro brasileiro impulsionou o crescimento da Nord Wealth, braço de gestão patrimonial da Nord Investimentos. A empresa encerrou 2025 com R$ 10 bilhões sob consultoria e projeta alcançar R$ 16 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.
Segundo Renato Breia, sócio-fundador da Nord e responsável pela operação de wealth management, o avanço das consultorias reflete, sobretudo, o amadurecimento do investidor brasileiro. “O investidor já pagava pelo serviço, mas não tinha clareza sobre quanto. Eventos recentes deixaram isso evidente no bolso”, afirma.
A Nord foi uma das pioneiras na adoção do modelo de consultoria com taxa fixa para clientes com mais de R$ 1 milhão investidos, há mais de cinco anos, quando o formato ainda enfrentava resistência no mercado. Desde então, a empresa se beneficiou do debate crescente sobre conflitos de interesse e transparência, além da maior exigência regulatória trazida pela CVM 179.
O negócio de wealth da casa cresceu 70% no último ano, em um cenário marcado também pela entrada de grandes players no modelo fee-based, como XP e Itaú, o que ajudou a legitimar a consultoria como alternativa às assessorias tradicionais.
Atualmente, 75% dos R$ 10 bilhões sob consultoria vêm do atendimento direto ao cliente final (B2C). A próxima alavanca de crescimento está no B2B, voltado a consultores independentes. A área ganhou tração em 2025 com a chegada de Jaqueline Maldonado, ex-BTG, e com o fortalecimento do Nord Hub, plataforma que integra tecnologia, backoffice, jurídico e inteligência de alocação.
Por meio do B2B, a Nord já está presente em nove estados sem abrir filiais físicas. “O negócio de wealth é, acima de tudo, um negócio de confiança. Muitas vezes, ela está na relação local entre consultor e cliente”, destaca Breia.
A empresa também amplia seu escopo de atuação com o lançamento de uma área de wealth planning, voltada ao planejamento patrimonial e sucessório, e o reforço da divisão de corporate solutions, dedicada às demandas empresariais dos clientes. A expansão responde às mudanças trazidas pela Reforma Tributária, que aumentaram a complexidade da gestão financeira para o público de alta renda.
“Hoje, não basta olhar apenas para a carteira de investimentos. É preciso integrar patrimônio, empresa, sucessão e tributação”, resume o executivo.