A Guarda Civil Municipal de Salvador iniciou, nesta quinta-feira (22), uma oficina de defesa pessoal voltada para mulheres e público LGBT+, com foco nas festas populares. A aula foi marcada por ensinamentos sobre técnicas de autodefesa, noções de primeiros socorros e orientações sobre como acionar a rede de apoio em casos de violência. O curso busca fortalecer a autonomia do público alvo diante de situações de risco e violência, como a importunação sexual.
A iniciativa contará com novas turmas nos dias 27 e 29 de janeiro, 3 e 5 de fevereiro, com aulas realizadas das 8h às 12h e das 13h às 17h, sempre na sede da Guarda Civil, na Avenida San Martin.
Apaixonada pelo Carnaval e “chicleteira” declarada, a empregada doméstica Sueli Freitas acompanha o cantor Bell Marques durante toda a folia. Após tomar conhecimento da oficina de defesa pessoal por meio das redes sociais, ela fez questão de participar logo da primeira turma. “É muito bom aprender as técnicas para nos defendermos de algumas situações que acontecem no Carnaval”, disse a aluna, que já foi vítima de agressão doméstica.
Nas primeiras horas da oficina, o guarda e professor de boxe Anderson Roberto Corrêa ensinou como se defender de situações indesejadas. As participantes aprenderam como se desvencilhar de puxões de cabelo e tentativas de beijos e abraços indesejados, por meio de técnicas de distanciamento através do uso das palmas das mãos e cotovelos, com golpes curtos que criam espaço de fuga, sem necessidade de força extrema.
“O caráter principal da defesa pessoal é a recusa de força, podendo ser aplicada contra oponentes de maiores dimensões ou com maior força muscular”, explicou o professor. Corrêa também demonstrou como usar a base do boxe para evitar quedas em locais com multidão e empurra-empurra.
Primeiros socorros – O público participante também aprendeu como agir em casos de desmaios e insolação, com a identificação de sinais de exaustão térmica e o posicionamento adequado da pessoa para recuperar a consciência. “Para ajudar alguém que passou do limite com a bebida, o ideal é colocar na posição lateral de segurança para evitar a aspiração de vômito”, informou Corrêa.
A última hora da oficina foi dedicada às noções de legislação, acolhimento e rede de apoio em casos de violência. Os monitores abobrdaram questões relacionadas à importunação sexual, estupro, LGBTfobia e racismo.
Após receber a indicação de uma amiga que participou do curso da GCM no ano passado, Vivian Silva fez questão de integrar a primeira turma desta quinta. “Meu objetivo é aprender como ser preventiva. E, se precisar usar alguma técnica, estar preparada”, disse. Mãe de uma jovem de 19 anos, Vivian contou que pretende compartilhar os ensinamentos com a filha. “Vou passar tudo para ela, já que vamos juntas curtir um ou dois dias de Carnaval”, afirmou.
Presente na oficina, o coordenador de Prevenção à Violência da Guarda Municipal, James Azevedo, explicou que a iniciativa visa fortalecer a segurança preventiva e a autoproteção de mulheres e do público LGBT+ no contexto das festas populares e do Carnaval de Salvador.
“Nossa intenção é capacitar as participantes com ferramentas físicas, noções de primeiros socorros e conhecimentos jurídicos para identificar, evitar e reagir de forma segura a situações de risco e violência”, afirmou. O coordenador destacou que as oficinas no período festivo são uma extensão dos cursos de defesa pessoal ofertados ao longo de todo o ano. Em 2025, mais de 900 pessoas participaram dos 41 cursos de defesa pessoal promovidos pela GCM.