O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou, nesta quinta-feira (22), o que pode ser o maior desafio recente à ordem diplomática global.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o republicano lançou oficialmente o “Conselho da Paz”, uma estrutura paralela criada para supervisionar conflitos internacionais, começando pela reconstrução da Faixa de Gaza.
O evento foi marcado por duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e pela apresentação de um projeto imobiliário ambicioso, e controverso, apelidado de “Nova Gaza”.
Em seu discurso, Trump não poupou a principal organização multilateral do planeta, vista por críticos como o alvo a ser “esvaziado” pela nova iniciativa. “Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, disparou o presidente, afirmando, no entanto, que o novo conselho dialogará com outras entidades.
A estrutura do novo órgão garante poderes inéditos a Trump. Pelo estatuto, ele será o presidente vitalício do grupo e o único com poder de veto. “Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos”, declarou.
Para países que desejam um assento permanente na mesa de decisões, a “taxa de entrada” é salgada: US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões). Os recursos serão administrados diretamente pelo presidente americano.
O plano prático apresentado na cerimônia focou ainda na Faixa de Gaza. Jared Kushner, genro e conselheiro de Trump, revelou o projeto de uma “Gaza desmilitarizada e lindamente reconstruída”.
Longe da arquitetura tradicional do Oriente Médio, o projeto visualiza uma Gaza repleta de arranha-céus envidraçados, áreas residenciais de luxo e polos turísticos na orla do Mediterrâneo. Um mapa exibido dividiu o território em zonas de negócios, agricultura e portuária.
A cerimônia evidenciou o alinhamento político do novo conselho. Cerca de 30 líderes compareceram, incluindo figuras da direita global como Javier Milei (Argentina), Viktor Orbán (Hungria) e Santiago Peña (Paraguai).
Por outro lado, as grandes potências ocidentais aliadas dos EUA, como França, Alemanha e Reino Unido, não enviaram representantes.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi convidado para integrar o grupo, mas ainda não respondeu ao convite.
Ao lado de Trump no palco, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, definiu a nova entidade como “um conselho não só da paz, mas da ação”. A comunidade internacional, contudo, observa com ceticismo, temendo que a iniciativa enfraqueça o papel mediador da ONU em crises globais.