Onde mora Wagner Moura? Conheça o histórico e imponente prédio que é residência do ator em Salvador

Onde mora Wagner Moura? Conheça o histórico e imponente prédio que é residência do ator em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura, com informações de CORREIO

Paula Froes / CORREIO

Publicado em 22/01/2026 às 17:26 / Leia em 5 minutos

Indicado nesta quinta-feira (22) ao Oscar de Melhor Ator por sua atuação em “O Agente Secreto”, Wagner Moura tem, em Salvador, um endereço que carrega quase tanto simbolismo quanto sua trajetória artística. Quando está na capital baiana, o ator reside em um apartamento no Edifício Oceania, prédio histórico localizado em frente ao Farol da Barra, um dos cartões-postais mais conhecidos do país.

Inaugurado em 1943, o Oceania foi o primeiro edifício condominial da Bahia e permanece, oito décadas depois, como uma espécie de cápsula do tempo suspensa entre o mar e a cidade. Enquanto do lado de fora ambulantes disputam a atenção de turistas e flashes se multiplicam, do lado de dentro o cotidiano segue em ritmo próprio, marcado por portas abertas, conversas espontâneas e uma convivência que remete a tempos em que vizinhos sabiam mais do que apenas o número do apartamento ao lado.

“Wagner Moura mora naquele ali”, revela a aposentada Tereza Maria Nascimento Santos, de 75 anos, conhecida como Teca, moradora do prédio desde 1988. “Ele é uma gracinha. Sempre vem aqui na porta, me procura, conversa comigo”, contou em entrevista ao jornal CORREIO em 2023. Segundo ela, a informalidade faz parte da rotina. “Aqui é assim, o pessoal vai entrando. Somos uma grande família.”

. por Paula Fróes

 

O edifício abriga 48 apartamentos distribuídos em oito andares residenciais, com seis unidades por pavimento. Todos possuem três quartos e metragens que variam entre 120 e 211 metros quadrados, com quatro opções de planta. Os moradores se dividem, em sua maioria, entre idosos que vivem ali há décadas e proprietários mais jovens que utilizam os imóveis como residência temporária ou de veraneio.

Além de Wagner Moura, outros nomes conhecidos do público artístico possuem ou já possuíram unidades no Oceania, como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. No passado, figuras como Gilberto Gil, Pelé e Xuxa eram vistos circulando pelos corredores do prédio.

Por fora, o Oceania se impõe como um grande bloco de concreto em estilo art déco. Por dentro, surpreende pela estrutura incomum. O prédio é oco, com uma espécie de praça central no térreo que permite a entrada de luz natural e a visão do céu. Nos andares superiores, corredores conectam portas de serviço dos apartamentos, favorecendo a circulação entre as unidades e reforçando o clima de vizinhança constante.

. por Paula Fróes

“Aqui eu vejo o mundo da minha janela”, diz Teca. “Aparece uma baleia e saio ligando para todos os meus vizinhos avisando. Só que aí o bicho foi embora e me chamam de mentirosa. Aí eu digo que tirei foto. É uma bagunça, todo mundo é amigo.”

O prédio também acumula histórias que atravessam gerações, incluindo episódios trágicos e curiosidades urbanas. Durante as escavações para a construção, foram encontrados vestígios de um antigo cemitério indígena no terreno. Ao longo das décadas, o Oceania foi cenário de mortes naturais, de um assassinato que permanece sem solução desde 1989 e até de relatos sobre um fosso interno que alimenta lendas locais. “Tem gente que diz que aqui é mal-assombrado, mas eu nunca vi nada. Não tenho medo dos mortos, tenho medo é de cobra”, brinca a moradora.

Apesar da aura histórica, o edifício já viveu períodos de decadência. Nos anos 1990, a desvalorização da região fez os preços dos imóveis despencarem, cenário que mudou com a revitalização da Barra e com eventos que marcaram o local, como o funcionamento do camarote Expresso 2222 durante o Carnaval e da boate Lótus no térreo, no início dos anos 2000.

“Sempre que alguém descobre que eu moro no Oceania fica maravilhado, surpreendido”, afirma o administrador Diogo Souto, de 36 anos, morador desde 1997. “Mas a surpresa maior é quando me visitam e encontram pela primeira vez a vista mais bonita da cidade.”

Hoje, morar no Oceania é um privilégio disputado. Unidades à venda são raras e superam os milhões de reais quando anunciadas. Algumas estão disponíveis para aluguel por temporada, com diárias de mais de R$ 1 mil. No Carnaval, os valores ultrapassam os R$ 20 mil. “O aluguel do Carnaval me ajuda bastante a pagar as contas do ano”, diz Teca.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) desde 2008, o prédio preserva elementos originais, como portas com grandes olhos mágicos, hall em mármore e uma planta que reflete os hábitos de outra época, sem suítes e com uma única e ampla casa de banho. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios modernos, como a adaptação para internet, TV a cabo e a escassez de vagas de garagem.

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