Madri supera Miami e vira queridinha dos milionários latino-americanos

Madri supera Miami e vira queridinha dos milionários latino-americanos

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 22/01/2026 às 13:12 / Leia em 4 minutos

Com valores ainda inferiores aos praticados em capitais como Paris e Londres, além de qualidade de vida e uma cena cultural e gastronômica em expansão, Madri vem se firmando como um dos principais destinos de investimentos no mercado imobiliário de luxo, impulsionada sobretudo pelo capital latino-americano.

“Madri está on fire”, resume à AFP Edoardo Corda, fundador da imobiliária de alto padrão Mi Piso en Madrid. Segundo ele, a capital espanhola se transformou em uma “cidade estrela para investir e para viver”, atraindo pessoas de alto poder aquisitivo interessadas em participar desse crescimento. A cidade liderou, por dois anos consecutivos, o ranking anual da consultoria Barnes, referência no setor de imóveis de luxo.

De acordo com o relatório mais recente da Barnes, divulgado nesta quinta-feira, Madri se consolida como um dos principais polos globais para os chamados UHNWI, sigla que designa pessoas com patrimônio superior a US$ 30 milhões. O estudo descreve a cidade como “cosmopolita, alegre e vibrante” e destaca fatores como facilidade de deslocamento, segurança, clima ameno, serviços públicos eficientes, sistema de saúde e educação de alto nível, além de uma rede de transporte considerada exemplar.

O levantamento aponta que uma parcela significativa dos compradores é estrangeira e que cerca de 60% deles vêm da América do Sul, seguidos por britânicos, franceses e norte-americanos. O dado é corroborado por Martha Lucía Pereira, CEO da imobiliária de luxo PresVip, cuja carteira de clientes é composta quase integralmente por latino-americanos.

Segundo Pereira, o fluxo de investidores da região se intensificou ao longo da última década, começando por venezuelanos e colombianos, seguido por argentinos e mexicanos. Para Antonio de la Fuente, da consultoria Colliers, esse movimento costuma coincidir com períodos de instabilidade política e econômica nos países de origem. “Sempre que havia movimentos de tendência populista, pessoas com maior poder aquisitivo buscavam sair com receio de perder suas economias”, afirma.

Nesse contexto, Madri teria passado a ocupar o espaço que antes era de Miami como destino preferencial desse capital. Mais recentemente, observa-se também o crescimento do interesse de investidores norte-americanos, fenômeno que De la Fuente chama de “efeito Richard Gere”, em referência ao ator que se mudou para a capital espanhola em 2024 e passou a elogiar publicamente o estilo de vida local.

Os compradores, segundo a Barnes, procuram principalmente grandes apartamentos, com pé-direito elevado e localizados em andares altos, sobretudo em bairros centrais e tradicionais. O distrito de Salamanca aparece entre os mais valorizados, conhecido por suas ruas largas, edifícios históricos dos séculos XIX e XX, além da concentração de lojas de luxo e restaurantes.

Outras áreas bastante disputadas incluem o bairro de Jerónimos, próximo ao Paseo del Prado e ao Parque do Retiro, ambos reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco, além da região da Puerta del Sol, que registrou valorização após a inauguração do hotel Four Seasons, em 2020.

O preço médio do metro quadrado nas áreas mais procuradas varia entre 23 mil e 25 mil euros, segundo De la Fuente. Um imóvel de 100 metros quadrados, portanto, não sai por menos de 2,3 milhões de euros. Apesar disso, os valores seguem abaixo dos praticados em Paris ou Londres, onde o metro quadrado pode superar os 30 mil euros.

Especialistas avaliam que a atratividade de Madri também está relacionada a políticas regionais favoráveis ao investimento estrangeiro. A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, defende a transformação da capital na chamada “Flórida da Europa”. “Madri é um bálsamo de estabilidade social e regulatória”, afirma De la Fuente.

Esse cenário contrasta com algumas medidas adotadas pelo governo central para enfrentar a crise habitacional, como o fim da chamada “golden visa”, que concedia residência a estrangeiros não europeus mediante investimento imobiliário, e a proposta de taxação de até 100% sobre a compra de imóveis por esse público. Para De la Fuente, essa última iniciativa dificilmente avançará, diante das dificuldades do governo do socialista Pedro Sánchez para aprovar projetos no Parlamento.

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