Bahia se destaca no Enamed com três universidades nota máxima em meio a crise nacional na Medicina

Bahia se destaca no Enamed com três universidades nota máxima em meio a crise nacional na Medicina

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Reprodução/Guia do Estudante

Publicado em 19/01/2026 às 15:38 / Leia em 4 minutos

A Bahia se destacou nacionalmente na mais recente edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), com três universidades alcançando o conceito máximo, nota 5, considerado o mais alto indicador de qualidade do ensino médico no país. O resultado coloca o estado entre os principais polos de excelência na formação de novos médicos, em meio a um cenário nacional marcado por avaliações preocupantes.

Receberam conceito 5 a Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Vitória da Conquista; a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), também em Vitória da Conquista; e a Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), no campus de Paulo Afonso. Outras instituições baianas também figuraram entre os bons desempenhos, com conceitos 4 e 3, reforçando a presença do estado entre os cursos bem avaliados pelo Ministério da Educação.

Entre os cursos com conceito 4 estão a UFBA, em Salvador; a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus; a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador; a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública; além de campi da UESB, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e do Centro Universitário FG (Unifg), em Guanambi. Já com conceito 3 aparecem instituições como a Universidade Salvador (Unifacs), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Santo Antônio de Jesus, e a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Guanambi.

Apesar do bom desempenho de parte significativa das instituições, a Bahia também aparece entre os estados com cursos avaliados como insatisfatórios. Diversas faculdades do estado receberam conceito 2 no Enamed, entre elas unidades localizadas em Salvador, Lauro de Freitas, Barreiras, Eunápolis, Irecê, Juazeiro, Jacobina, Itabuna, Alagoinhas, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. Essas instituições estão sujeitas a penalidades como redução de vagas, suspensão de novos ingressos e bloqueio do acesso a programas federais, como o Fies.

O cenário estadual reflete um problema mais amplo observado em todo o país. Dos 351 cursos de Medicina avaliados pelo Inep, mais de 100 receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios. Ao todo, cerca de 30% dos cursos ficaram nessa faixa. Desses, 24 obtiveram conceito 1, o pior desempenho possível, e 83 ficaram com conceito 2. As instituições com notas baixas terão restrições que incluem cortes de vagas e suspensão de políticas de financiamento estudantil.

A avaliação contou com a participação de aproximadamente 89 mil estudantes, entre concluintes e alunos de outros períodos. Entre os quase 39 mil formandos, apenas 67% alcançaram o nível considerado proficiente, enquanto cerca de 13 mil não demonstraram conhecimento suficiente na prova.

A análise por tipo de instituição aponta que os piores resultados estão concentrados principalmente nas universidades públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas faixas mais baixas. Instituições privadas com fins lucrativos também apresentaram desempenho fraco, com mais da metade dos cursos avaliados como insatisfatórios. Em contrapartida, universidades federais e estaduais concentraram os melhores resultados, com ampla maioria dos cursos nas faixas 4 e 5.

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, 99 cursos serão efetivamente penalizados, já que faculdades estaduais e municipais não estão sob gestão direta do MEC. Ele ressaltou que as instituições terão prazo para apresentar defesa e afirmou que o objetivo das medidas é elevar a qualidade da formação médica no país. “É um instrumento para que as instituições possam corrigir falhas e garantir um ensino de qualidade, protegendo a população que será atendida por esses profissionais”, declarou.

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