Quem fizer a caminhada de fé e devoção da Lavagem do Bonfim nesta quinta-feira (15) vai se deparar com uma mega fita do Senhor do Bonfim ao passar pela Avenida Jequitaia, na altura de Água de Meninos. O adereço de 85 metros está sendo instalado pela Prefeitura no viaduto de acesso à Via Expressa, e é uma das novidades visuais que vêm sendo preparadas para deixar o trajeto até a Colina Sagrada ainda mais bonito.
Símbolo de fé ao Senhor do Bonfim e uma das marcas mais conhecidas da capital baiana no mundo, a fitinha ganha uma versão ampliada para compor o cenário da celebração e valorizar o simbolismo e identidade da festa popular e religiosa. O local da instalação, o Largo de Água de Meninos, foi escolhido pela sua importância para a cidade, com um comércio forte e onde também está situado o icônico Mercado do Peixe.
“Essa é a maior fita já feita. Como Salvador gosta de recordes, nós já temos o maior Carnaval de trio elétrico do planeta, e agora temos também a maior fita do Senhor do Bonfim, com 85 metros, que ficará exposta durante todo o ano”, conta o diretor de Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Gegê Magalhães.
O gestor explica que essa é uma reprodução feita pela Prefeitura, por meio da Secult, que se une a outro recorde, que é a maior galeria de fé católica do mundo, a galeria de Santa Dulce, situada nos Dendezeiros. “Também colocaremos no trajeto um novo painel com uma frase muito importante do hino do Senhor do Bonfim, que é: ‘A Guarda Imortal da Bahia’. Já está desenhado e também será implantado ainda hoje”, revela.
Tradição – A fitinha do Senhor do Bonfim é uma das marcas da Lavagem do Bonfim, que neste ano completa 281 anos de tradição, com a chegada da imagem do padroeiro de Salvador à Bahia. Os primeiros registros do souvenir são de 1809, mais de dois séculos atrás, criado por um tesoureiro da Devoção de Nosso Senhor do Bonfim.
Quando surgiu, no entanto, era conhecida como Medida do Bonfim, por medir 47 centímetros, tamanho do braço direito da estátua de Jesus Cristo que está na Basílica Santuário do Senhor do Bonfim. À época, a Medida do Bonfim era branca, feita em algodão ou seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão. O acabamento era feito em tinta dourada ou prateada, como fios de ouro. A fita era utilizada no pescoço, como um colar, frequentemente com medalhas, santinhos e pingentes pendurados.
As fitinhas como atualmente são conhecidas têm os primeiros registros em meados de 1950. Hoje, elas são feitas de pano, nylon e possuem várias cores. No gradil da Basílica do Senhor do Bonfim, elas formam verdadeiras cortinas e são amarradas por soteropolitanos e turistas, que seguem a tradição de dar três nós, enquanto fazem três pedidos. Elas também são amarradas no punho ou no tornozelo com três nós, para cada nó, um pedido. É preciso manter segredo para a realização dos pedidos, que só ocorre quando a fita se parte por conta própria.
Vendida a preços populares, as fitinhas são alguns dos principais elementos da cultura popular e religiosa baiana e também ajudam a preservar o simbolismo da Lavagem do Bonfim, que é considerada uma das maiores festas religiosas populares da Bahia.