A capital baiana volta a ser território de afirmação, memória e cultura preta neste final de semana, com a realização da 45ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê, que elegerá a Deusa do Ébano 2026. Inspirada no tema do Carnaval do bloco, “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, a cerimônia acontece neste sábado (17), a partir das 22h, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu.
Ao todo, 15 candidatas subirão ao palco para disputar o título de Rainha do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, levando dança, presença, ancestralidade, carisma e energia. São elas Bruna Christine, Camila Silva, Camila Morena, Carol Xavier, Cecília Cadile, Dandara Namíbia, Joana Sousa, Larissa Oliveira, Mavih Souza, Nayara Temporal, Rafaela Rosa, Raíssa Batista, Sarah Moraes, Stephanie Ingrid e Thuane Vitória. A vencedora receberá a coroa das mãos da atual Rainha, Lorena Bispo.
Com roteiro e direção artística de Ridson Reis, a 45ª Noite da Beleza Negra propõe uma travessia cênica que entende a beleza como rito e afirmação coletiva. A concepção da cerimônia parte da compreensão de que o evento é resultado de uma construção histórica contínua, marcada pela estética negra enquanto ato político. Segundo o diretor, a montagem valoriza elementos como o canto, a percussão, a dança e a presença da mulher negra como expressão de realeza e continuidade.
“Este ano, o espetáculo nasce de escolhas muito conscientes. Os turbantes e cocares aparecem não como estética, mas como herança, resistência e pertencimento. Cada edição tem sua própria respiração. A deste ano está mais madura, mais segura do que quer dizer. E o resultado é um espetáculo mais direto, pulsante e mais conectado com o que o Ilê representa hoje. Cada cena está ali porque precisa estar e cada artista em cena está sustentando um sentido”, avalia Ridson.
A cerimônia estabelece um diálogo direto com o tema do Carnaval 2026 do Ilê Aiyê, que este ano completa 52 anos de história, ao aproximar as trajetórias do povo negro e dos povos indígenas a partir da história de Maricá, no Rio de Janeiro. A proposta ressalta que turbantes e cocares não operam como ornamento, mas como símbolos de memória, resistência e direitos forjados na luta.
Programação cultural
O agito musical fica por conta de Aiace, uma das vozes mais marcantes da música baiana contemporânea; Sued Nunes, destaque da nova cena feminina do Recôncavo Baiano; e Tiganá Santana, que levará ao palco um espetáculo que une línguas africanas, pesquisa acadêmica e experimentação musical.
A celebração também contará com apresentações de Denise Correia, Gab Ferruz e Riane Mascarenhas, artistas que transitam entre teatro, canto e musicalidades afro-diaspóricas. O público também poderá prestigiar performances de Tonho Matéria, Koanza (Sulivã Bispo) e, para encerrar com chave de ouro, Banjo Novo, em uma programação que traduz a diversidade e a vitalidade da cena cultural baiana.
Na ocasião, a Band’Aiyê, anfitriã da noite, promete deixar a festa ainda mais especial apresentando as músicas vencedoras da 51ª edição do Festival de Música Negra, além de clássicos que atravessam gerações. Integram o repertório Curuzu Mainha, que levou o primeiro lugar na categoria “Tema”, Malassombrada, vencedora da categoria “Poesia”, e canções como O Mais Belo dos Belos, Nzinga Brasileira, Herança e Crença e Senzala do Amor.
Os ingressos para a 45ª Noite da Beleza Negra podem ser adquiridos através da plataforma MeuBilhete. O evento também contará com transmissão ao vivo pela TVE, TV Brasil e pelo canal da TVE no YouTube, permitindo que a energia do Curuzu atravesse telas, ruas e fronteiras.