De Salvador a Londres: quem é o baiano que integra equipe de filme vencedor do Globo de Ouro

De Salvador a Londres: quem é o baiano que integra equipe de filme vencedor do Globo de Ouro

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 13/01/2026 às 12:15 / Leia em 5 minutos

Um profissional baiano está entre os nomes que ajudaram a levar “Hamnet” ao reconhecimento internacional, coroado no último domingo (11) com a vitória no Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama. Trata-se de Tiago Di Mauro, que construiu uma trajetória sólida no audiovisual até integrar a equipe de produção financeira do longa, uma das áreas mais estratégicas de grandes produções internacionais.

Antes de seguir carreira fora do país, Tiago iniciou sua formação profissional em Salvador. “Fui estagiário e assistente de produção aí em Salvador, antes de ingressar e estudar cinema na FTC, o primeiro curso de cinema da Bahia”, relembra. A partir daí, decidiu expandir horizontes e se mudou para Londres, onde realizou mestrados e passou a atuar em longas-metragens internacionais, encontrando no Reino Unido um ambiente que possibilitou maior estabilidade profissional. “Aqui achei a maneira de ser sustentável com a minha profissão, de trabalhar mais em cinema e até de ser um profissional melhor”, explica.

Tiago no set de “Hamlet” | Foto: Acervo pessoal

Nos últimos cinco anos, Di Mauro se especializou em produção financeira, setor responsável por garantir que os altos orçamentos do cinema internacional sejam executados de forma rigorosa e transparente. “É um departamento grande e avançado da produção, porque os orçamentos dos filmes aqui são pomposos se comparados aos nossos. A missão é manter o orçamento e as despesas da produção de acordo, para que o filme seja produzido sem surpresas de gastos e o projeto seja entregue conforme planejado”, conta, em entrevista ao Alô Alô Bahia.

Mesmo vivendo há anos fora do Brasil, o vínculo com a Bahia segue presente. “Quando volto pra Bahia, aplico isso nas oportunidades que me dão e, em Londres, quando assistem às coisas que filmo aí, eles enlouquecem com a nossa cultura e beleza”, destaca o produtor, que costuma levar referências baianas também para seus trabalhos autorais.

Teatro onde Shakespeare apresentava suas peças foi reconstruído | Foto: Acervo pessoal

Ao longo da carreira, o baiano acumulou experiência em produções para grandes estúdios e plataformas como Netflix, Disney, Amazon Prime, Focus Features, BBC e Sony. No currículo estão títulos como “The Kitchen”, “Chevalier”, “Minha Culpa: Londres”, “Todo Tempo que Temos”, “Sinfonia de Guerra” e “Prima Facie”, em projetos que reuniram nomes como Ralph Fiennes, Gal Gadot, Cynthia Erivo, Judi Dench, Andrew Garfield e Florence Pugh.

Foi justamente esse histórico que o levou ao convite para integrar a equipe de “Hamnet”. “Fui convidado justamente pela experiência e respaldo em trabalhar com orçamentos transparentes e claros, de projetos funcionais. Em ‘Hamnet’, tomei conta dos contratos e da folha de pagamento”, afirma. Um dos maiores desafios do filme, segundo ele, foi a reconstrução do Shakespeare Globe Theatre. “Tivemos que reconstruir o teatro onde Shakespeare apresentava suas peças. Por sorte, um grande estúdio tinha uma área aberta nos fundos e levantamos tudo do chão. Isso é parte da produção financeira, porque esses custos precisam ser milimetricamente levantados antes de tocar o projeto”, explica.

Tiago em visita ao set com Spielberg e a direto Chloe Zao | Foto: Acervo pessoal

A vitória no Globo de Ouro, segundo Tiago, potencializa sua atuação e abre novas portas. “Prêmios como esse expõem que tem um baiano fazendo cinema em setores muito concorridos, mas que venceu pela determinação, pelo empenho, pela força do trabalho. E que eu possa servir à Bahia, usar essa experiência internacional pra fazer coisas grandes da Bahia também”, diz. Sobre a corrida ao Oscar, ele antecipa uma aposta pessoal: “O de Melhor Atriz ninguém tira da Jess Buckley”.

Hoje, Tiago Di Mauro é o único brasileiro atuando na produção financeira no Reino Unido e segue em plena atividade. “Estou, neste exato momento, em set, fazendo o novo filme de Mike Leigh, um dos maiores diretores britânicos de todos os tempos”, revela. Ele também guarda com carinho a experiência de ter trabalhado em uma produção de Steven Spielberg. “Foi um sonho. Como criança dos anos 80, assisti tudo que ele dirigiu e, pra mim, foi inacreditável viver pra trabalhar sob sua tutela e influência”, confessa.

Tiago em recente encontro com o conterrâneo Wagner Moura | Foto: Robert Bertran

Paralelamente ao trabalho em grandes produções internacionais, Tiago mantém uma atuação autoral como diretor, assinando videoclipes e curtas-metragens como “Nega Tonha”. Entre os trabalhos mais recentes estão colaborações com Josyara, no clipe “De Samba em Samba”, e Zé Manoel, reforçando uma carreira que transita com naturalidade entre o cinema de grande escala e a criação artística independente, sempre com a Bahia como referência afetiva e criativa.

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