Em plena campanha pela indicação ao Oscar 2026, o ator Wagner Moura utilizou sua visibilidade na imprensa norte-americana para se posicionar contra a recente invasão militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira (8) pela revista The Hollywood Reporter, o brasileiro classificou a operação ordenada por Donald Trump como “inaceitável”.
Moura, que mora em Los Angeles, no estado da Califórnia, fez questão de dissociar sua crítica de qualquer apoio político ao líder venezuelano capturado.
“Isso não tem nada a ver com apoiar Maduro ou o seu regime, eu acho que ele é um ditador e a Venezuela merece algo melhor”, pontuou. “Mas os Estados Unidos invadirem um país, bombardearem, matarem pessoas e sequestrarem o seu presidente? É um precedente muito, muito perigoso”, continuou.
Durante a conversa em Los Angeles, o ator traçou um paralelo entre a ação atual e o histórico intervencionista dos EUA na América Latina. Para ele, o episódio remete aos “velhos tempos do imperialismo americano”, citando a Doutrina Monroe e a política do Big Stick.
Moura conectou o cenário atual ao contexto de seu novo filme, “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado na ditadura militar brasileira dos anos 70.
“Tenho certeza de que você sabe que todas as ditaduras na América do Sul nos anos 60 e 70, como a que abordamos em ‘O Agente Secreto’, foram apoiadas pela CIA. Então isso não pode ser aceito”, afirmou o ator, que disse estranhar a falta de uma “reação forte da comunidade internacional” diante do ocorrido.
A entrevista também abordou como o cenário político recente do Brasil influenciou sua carreira. Moura afirmou que o período do governo de Jair Bolsonaro (2018-2022) serviu de inspiração para que ele e Mendonça Filho tirassem “O Agente Secreto” do papel.
Segundo o ator, a obra, seu primeiro projeto atuando em língua portuguesa em 12 anos, nasce da necessidade de refletir sobre a história para entender o presente.