Internautas que acompanham plataformas de mercados de previsão levantaram suspeitas de uso de informação privilegiada envolvendo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, após uma coletiva realizada na quarta-feira (7). A acusação surgiu porque o encerramento da entrevista ocorreu cerca de 30 segundos antes do prazo final para apostas relacionadas à duração do evento.
A polêmica ganhou força depois da publicação de um apostador na rede social X, que ultrapassou dez milhões de visualizações. Segundo o relato, usuários do site Kalshi, especializado em previsões, apontavam probabilidade de 98% de que a coletiva superasse 65 minutos de duração.
Contrariando essa expectativa, Leavitt encerrou a coletiva de forma repentina quando faltavam menos de 30 segundos para atingir o tempo estipulado. De acordo com o autor da postagem, essa mudança resultou em ganhos de até 50 vezes o valor apostado para quem havia escolhido a opção “não”, que previa duração inferior ao limite.
As regras da aposta consideravam o intervalo entre “a primeira e a última palavra audivelmente proferida por Karoline Leavitt. Pausas serão consideradas se estiverem entre esses dois pontos”. No total, a secretária falou por 64 minutos e 30 segundos, ficando abaixo do marco de 65 minutos.
Today’s White House Press Briefing had a 98% chance of running over 65 minutes – until Karoline Leavitt abruptly ended it with seconds to spare.
Traders on the NO side made 50x in seconds. pic.twitter.com/Fe0MVMq9Oj
— PredictionMarketTrader (@PredMTrader) January 7, 2026
Mercados de previsão funcionam como plataformas online nas quais usuários negociam contratos baseados em desfechos de eventos futuros, que podem variar desde acontecimentos políticos até temas ligados à cultura pop ou ao comportamento de figuras públicas, como a frequência de postagens de Elon Musk no X.
Após a viralização do caso, usuários passaram a analisar imagens da coletiva e alguns afirmaram que Leavitt teria olhado rapidamente para cima, como se conferisse um relógio. A principal suspeita levantada é de que alguém ligado à secretária ou à equipe da Casa Branca teria apostado na opção “não” nos momentos finais, utilizando informação privilegiada, prática conhecida como insider trading.
O estrategista democrata Mike Nellis comentou o episódio afirmando que “vivemos na linha do tempo mais burra”. Outro usuário questionou: “Que estágio de capitalismo é esse quando a Casa Branca manipula as apostas sobre a duração de suas coletivas de imprensa negando crimes de guerra?”.
Em referência a episódios anteriores envolvendo mercados de previsão, como o aumento repentino de apostas relacionadas a uma possível queda de Nicolás Maduro, um internauta avaliou: “Isso não é sustentável”.