O público tem até o dia 18 de janeiro para visitar a exposição “Orixás”, do artista brasiliense Josafá Neves, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra ocupa a Capela do Solar do Unhão e propõe uma imersão visual, sensorial e simbólica nas raízes afro-brasileiras, em diálogo direto com a força espiritual e cultural do território baiano.
Após passar por Brasília e São Paulo, “Orixás” chega à reta final de sua temporada na Bahia com uma montagem especialmente concebida para Salvador, cidade reconhecida como um dos principais centros das tradições de matriz africana no Brasil.resistência. Inaugurada durante o Mês da Consciência Negra, a exposição reafirma o compromisso de Josafá Neves com a valorização da ancestralidade afro-brasileira e com a arte como território de memória, fé, celebração e resistência.
A atmosfera singular da Capela do Solar do Unhão foi determinante para a concepção da instalação “Iansã”, criada especialmente para este espaço. No centro da capela, a escultura da orixá se eleva envolta por trezentos fios vermelhos adornados com búzios, evocando raios, movimento e força espiritual. A obra nasceu durante a residência artística de Josafá Neves em Angola, em 2023, onde a escultura foi produzida em madeira negra.
Entre outros destaques da mostra estão as “Cabeças de Orixás”, conjunto de esculturas em cerâmica pintadas com cores e símbolos sagrados de diferentes divindades. As obras fazem referência ao orí, conceito da tradição iorubá que significa “cabeça” e representa o espaço sagrado onde habita o axé — princípio vital que conecta o ser humano à espiritualidade e ao divino.
Segundo Fonteles, “a obra de Josafá Neves ultrapassa a representação formal e incorpora os orixás como potência plástica, espiritual e poética”. Para ele, a exposição constrói uma ponte sensível entre ancestralidade e contemporaneidade, proporcionando ao público a uma experiência profunda de escuta, contemplação e reconexão.

Crédito: Naiade Bianchi