Em entrevista à W Magazine, Wagner Moura fala sobre início da carreira em Salvador e xenofobia

Em entrevista à W Magazine, Wagner Moura fala sobre início da carreira em Salvador e xenofobia

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Tyrone Lebon

Publicado em 07/01/2026 às 10:53 / Leia em 3 minutos

Em plena campanha internacional para o Oscar e o Globo de Ouro 2026 com o filme “O Agente Secreto”, Wagner Moura é destaque na nova edição da revista norte-americana W Magazine. Na entrevista, divulgada nesta quarta-feira (7), o ator baiano falou sobre política, a recusa em ser estigmatizado em Hollywood e a importância de suas raízes nordestinas na construção de seus personagens.

Ao comentar sobre o figurino de seu personagem, Marcelo, no novo longa de Kleber Mendonça Filho, ambientado em Recife, Wagner fez questão de citar sua origem.

“Isso é muito regional… Fica no Nordeste do Brasil, perto de Salvador, de onde eu sou. É uma parte do país raramente retratada em filmes. Aquelas sandálias fazem parte disso. E o jeito que os homens desabotoam as camisas… Lembro que meu pai usava uma camisa assim e colocava o maço de cigarros no bolso esquerdo, exatamente como meu personagem faz”, detalhou.

Questionado sobre seu primeiro trabalho, Moura relembrou o início no teatro aos 15 anos, em Salvador, e o preconceito que enfrentou devido à sua origem. Segundo ele, o sistema de estrelas do Brasil, focado em novelas, costumava estereotipar os nordestinos.

“De onde eu venho, havia muito preconceito contra atores, a maneira como falávamos, nossos sotaques… Os personagens que as pessoas da minha cidade interpretavam eram estereotipados: o engraçado, o pobre ou o bandido”, explicou.

Essa experiência moldou sua carreira internacional pós-Narcos. O ator revelou ter recusado inúmeros papéis de “traficantes e durões” para não cair na mesma armadilha nos EUA.

“Eu disse: ‘Não, não vou deixar isso acontecer comigo’. Quero interpretar um personagem chamado Michael que fala do jeito que eu falo, porque represento uma grande parcela deste país”, afirmou.

Um dos momentos mais descontraídos da entrevista foi quando Wagner revelou onde estava quando soube que havia vencido o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, no ano passado. Ele estava em Londres, filmando outro projeto, e não pôde comparecer à cerimônia.

“Foi um pouco agridoce… Um amigo meu ligou enquanto eu estava no meio de uma filmagem. Eu disse: ‘Meu Deus, o Kleber ganhou?’. Ele respondeu: ‘Não, você ganhou!’. Então eu fui gravar uma cena onde eu colocava um saco plástico na mão para pegar cocô de cachorro. Eu estava fazendo isso e pensando comigo mesmo: ‘Acabei de ganhar melhor ator em Cannes’”, contou, aos risos.

Apesar de ser uma estrela global, Wagner confessou que não consome as grandes séries do momento. Ele admitiu nunca ter assistido a sucessos como “Game of Thrones”, “Breaking Bad” ou “Família Soprano”. “Eu tenho três filhos. Não sei como as pessoas encontram tempo para fazer isso”, brincou.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia