Um passaporte em nome da modelo Eliza Samudio foi localizado em um apartamento em Portugal e entregue ao consulado brasileiro em Lisboa. A informação foi divulgada com exclusividade pelo Portal Leo Dias. Segundo o relato, o documento foi encontrado por um inquilino do imóvel, guardado em uma estante entre livros. Em nota, a representação diplomática informou que comunicou o recebimento ao Itamaraty e aguarda orientações sobre os próximos procedimentos.
Procurada, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, optou por não comentar o caso. Familiares da modelo, no entanto, relataram surpresa ao ver imagens do passaporte, já que acreditavam que todos os documentos pessoais de Eliza haviam sido destruídos pelos responsáveis por seu assassinato. Durante as investigações, policiais encontraram restos queimados de documentos nas buscas pelo corpo da jovem, que nunca foi localizado.
Uma pessoa próxima a Eliza afirmou ao jornal Extra ter dúvidas sobre a data do documento. Segundo ela, a foto do passaporte não condiziria com o período indicado. “Eu me lembro dessa foto, Eliza estava bochechuda por causa da gravidez. Para mim, não faz sentido estar num documento de 2007”, disse. O único filho de Eliza, Bruno Samudio, nasceu em fevereiro de 2010.
A expectativa é de que as autoridades abram um procedimento para apurar como o passaporte foi parar no apartamento em Portugal. Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, e investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontaram que ela foi assassinada por ordem de Bruno Souza, então goleiro do Flamengo, com quem mantinha uma disputa judicial pelo reconhecimento da paternidade do filho.
De acordo com o Portal Leo Dias, o consulado confirmou a autenticidade do passaporte, que estaria em bom estado de conservação e foi emitido em 2006. O documento registra apenas uma entrada em território estrangeiro, datada de 5 de maio de 2007, justamente em Portugal. Não há registros de saída ou de entrada em outros países, o que causa estranhamento, já que Eliza retornou ao Brasil e, segundo familiares, voltou à Europa em 2008 e 2009. Na época, ela concedeu entrevistas afirmando que viajava ao continente para se encontrar com o jogador Cristiano Ronaldo.
Em entrevista ao Portal Leo Dias, o homem que encontrou o passaporte contou que se assustou ao ver o nome de Eliza Samudio no documento. Ele pediu anonimato e informou que vive no apartamento com a esposa e um filho, além de outra família, e disse desconhecer quem teria deixado o passaporte na estante. “Eu prefiro não falar nada, deixar para as autoridades investigarem para não ser injusto com ninguém. Posso estar falando alguma coisa que pode prejudicar alguém que não tem nada a ver. Prefiro que investiguem de fato como esse passaporte foi parar naquela casa, não posso afirmar nada”, declarou.
Identificado apenas como José, ele também comentou a possibilidade de uso do documento por terceiros. “No meu ponto de vista, sabendo que eu não teria coragem de entrar em um país com o passaporte de alguém que morreu, acredito que outra pessoa também não, a não ser que esteja envolvida no crime. Não é possível que alguém vá entrar em Portugal com o passaporte de uma pessoa que teve um homicídio tão grande, conhecido no Brasil e no mundo”, afirmou.
Eliza Samudio tinha 25 anos quando desapareceu, em meio a uma disputa judicial na qual cobrava de Bruno Souza o reconhecimento da paternidade do filho. O caso ganhou grande repercussão nacional pelas denúncias de violência, intimidação e pela complexidade do crime.
As investigações concluíram que Eliza foi assassinada em Minas Gerais, em uma ação planejada para silenciá-la e impedir o avanço do processo judicial. O inquérito apontou a participação de várias pessoas nos crimes de sequestro, cárcere privado, homicídio e ocultação de cadáver, tornando o caso um dos mais emblemáticos da história policial brasileira.
Em março de 2013, o Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais, condenou Bruno Souza a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Outros envolvidos também foram condenados, com penas definidas de acordo com o grau de participação. Bruno obteve liberdade condicional em janeiro de 2023. No ano passado, ele atuou pelo Independente, de Mato Escuro, no Campeonato de Verão de Futebol do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.