Sarajane volta ao Carnaval do Rio em 2026, aposta em parcerias atuais e mantém bailinho no Pelourinho

Sarajane volta ao Carnaval do Rio em 2026, aposta em parcerias atuais e mantém bailinho no Pelourinho

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia com informações d'O Globo

Luciana Bahia

Publicado em 05/01/2026 às 16:30 / Leia em 4 minutos

Após 14 anos sem se apresentar no Rio de Janeiro, Sarajane volta à capital fluminense para abrir o Carnaval carioca em clima de atualização e diálogo com novas gerações. A cantora baiana, pioneira da axé music e dona de sucessos como “A Roda”, que estourou nacionalmente em 1987, participa no dia 31 do Casabloco, no Jockey Club, integrando o Baile de Novela com o bloco Fogo e Paixão. A apresentação marca um reencontro com o público do Rio e reafirma a presença de uma artista que, mesmo longe dos holofotes constantes, segue viva no imaginário popular brasileiro.

“Estou aberta ao que chega de novo, porque acho que a gente não tem que parar. O passado já passou, a gente caminha para a frente”, afirma Sarajane, ao destacar ao jornal O Globo a disposição em dialogar com a cena contemporânea. No show, ela promete uma participação curta, com seis ou sete músicas, focada nos principais sucessos da carreira. “Achei o máximo, porque eles são fogo e paixão mesmo. É uma banda que traz tanta alegria, energia positiva… e que tem a cara do Rio, a cara do Brasil”, diz.

Esse movimento de atualização passa diretamente por “A Roda”, canção que se tornou ponte entre Sarajane e o público mais jovem. Nos últimos tempos, a música ganhou novas versões em parcerias com o DJ de funk O Mandrake, o DJ Matheus Bala e a cantora e drag queen Nininha, de Salvador. A própria artista destaca que a gravação original já carregava elementos do funk americano, o que facilita o diálogo com o funk produzido hoje nas periferias brasileiras.

A aproximação com artistas mais novos também se reflete em encontros recentes nos palcos. No Carnaval de Salvador de 2025, Sarajane dividiu a cena com O Kannalha e se surpreendeu com a reação do público adolescente. “Ele chegou me reverenciando e aí veio aquele público de 15, 16, 17 anos, cantando junto comigo, isso é grandioso, isso é o que vale para mim”, relata. Para ela, a renovação é natural e necessária. “O que é importante, porque o nosso público se renova também. Hoje, com a internet, apesar de tanta coisa negativa, ela nos traz essa proximidade. E o meu público tem se renovado no Brasil inteiro, tenho feito muitos shows pelo país”, garante.

Sem idealizar o passado, Sarajane encara as mudanças estéticas e temáticas da música popular com franqueza. “Eu não tenho preconceito, acho que todo mundo tem sua luz. Quando dizem ‘ah, mas tal música é barra-pesada’, aí eu digo: ‘Gente, vocês estão ficando velhos!’”, comenta, ao lembrar que letras provocativas e duplos sentidos sempre fizeram parte da música popular brasileira, inclusive na época em que despontou.

Nos últimos anos, a artista manteve produção ativa. Em 2020, lançou o EP “Liquidificação”, reunindo nomes como Carlinhos Brown, Claudia Leitte, Durval Lelys, Ivete Sangalo e Margareth Menezes. Depois, apresentou o single “Um Mulherão da Zorra” e, durante a pandemia, ganhou destaque com a live “A Roda”, que começou de forma doméstica e evoluiu para um espaço de conversas com outros artistas.

Em 2025, Sarajane também participou das celebrações pelos 40 anos da Axé Music no Carnaval de Salvador, movimento que ela acompanhou desde a origem. A cantora relembra o início precoce na música, ainda adolescente, no Trio Tapajós, e as primeiras experiências no Rio de Janeiro, onde chegou a cantar em trio elétrico na Praia de Copacabana, antes mesmo da maioridade.

Verão e Carnaval 2026

Depois da passagem pelo Carnaval carioca, Sarajane segue para Pernambuco, onde participa do projeto Estação da Luz, com o maestro Spock. Na sequência, retorna a Salvador para dar início, no dia 17 de fevereiro, ao bailinho “Um Axé para Você”, que chega ao nono ano e acontece na Casa Cultural Teresa Batista, no Pelourinho. “E para esse bailinho eu convido todos os jovens, toda a galera LGBTQIA+, a galera alternativa da música. Eu dou oportunidades, fiz isso a vida inteira”, afirma.

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