Em plena campanha por uma vaga no Oscar 2026, Wagner Moura estampou a capa da edição de janeiro da prestigiada revista norte-americana The Hollywood Reporter. O ator baiano participou de uma mesa redonda com outros seis astros cotados para receber sua primeira indicação ao prêmio da Academia e aproveitou o espaço para defender a manutenção de sua identidade cultural.
Durante a conversa, que reuniu nomes como Adam Sandler, Jeremy Allen White, Dwayne Johnson (The Rock) e Michael B. Jordan, Moura afirmou que se vê como um representante dos imigrantes nos Estados Unidos e questionou a pressão para neutralizar a fala.
“O que me faz diferente e talvez especial para os filmes é o fato de que não sou daqui. Nunca entendi atores que tentam perder seus sotaques. Sou um ator brasileiro e represento uma quantidade enorme de pessoas que moram aqui neste país e falam com sotaque”, declarou.
Wagner também revelou que nunca teve a ambição desenfreada de “conquistar Hollywood”. Ele contou que, no início da carreira internacional, recusava propostas que exigissem um inglês padronizado. “Eu respondia que não. Primeiro, porque eu não consigo [risos], mas também porque eu acho isso meio errado”, pontuou.

Foto: Beau Grealy
A entrevista também abordou a relação de Wagner com o diretor Kleber Mendonça Filho, com quem trabalha no aclamado “O Agente Secreto”. O ator relembrou que a conexão entre os dois se fortaleceu durante o cenário político brasileiro entre 2018 e 2022.
Segundo Moura, as dificuldades enfrentadas para lançar o filme “Marighella” no Brasil criaram um elo de resistência com Kleber. “Nos unimos e pensamos em como reagir. E aí saiu ‘O Agente Secreto’, que se passa nos anos 1970 mas conversa com a história recente do Brasil”, explicou.