Entenda o período de luto no Terreiro do Gantois após morte de Mãe Carmen; comunidade pede respeito durante o “axexê”

Entenda o período de luto no Terreiro do Gantois após morte de Mãe Carmen; comunidade pede respeito durante o “axexê”

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Divulgação

Publicado em 01/01/2026 às 17:35 / Leia em 2 minutos

Após o falecimento da Ialorixá Mãe Carmen, ocorrido na última sexta-feira de 2025, no dia 26, o Terreiro do Gantois entrou em um período de silêncio e introspecção.

A Associação de São Jorge Egbé Oxóssi (ASJEO), responsável pela gestão da casa, divulgou um comunicado oficial explicando como funciona esse momento de luto e pedindo respeito aos ritos de passagem.

A nota destaca que o terreiro está dedicado integralmente ao “axexê”, o ritual fúnebre segundo os fundamentos do Candomblé. A instituição define o período atual como um “tempo sagrado, marcado pelo recolhimento, pelo silêncio respeitoso e pela vivência íntima”.

O comunicado adota um tom firme contra a exposição midiática desautorizada. A associação repudiou o uso de imagens, vídeos ou narrativas sobre a morte da Ialorixá para fins de engajamento ou autopromoção nas redes sociais.

“A ASJEO reforça que não concorda, não autoriza e repudia qualquer uso indevido de exposições públicas sem prévio conhecimento. O luto não é espetáculo. O axexê não é conteúdo. A memória de uma Ialorixá não é instrumento de autopromoção”, diz um trecho do texto.

Todas as comunicações oficiais sobre os ritos e orientações à comunidade serão feitas exclusivamente pelos canais da instituição.

Foto: Divulgação

Legado e partida de Mãe Carmen

Mãe Carmen do Gantois faleceu aos 96 anos, no Hospital Português, onde tratava complicações de uma gripe.

Filha direta de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências religiosas do país, Carmen nasceu e foi formada dentro dos saberes ancestrais do Ilê Iyá Omi Axé Iyamasé.

A partida da matriarca carregou um forte simbolismo para os fiéis: ocorreu em uma sexta-feira, dia tradicionalmente dedicado a Oxalá, o orixá que regia sua vida e sua cabeça.

Para a comunidade do candomblé, a coincidência reforça a profunda conexão espiritual que marcou sua missão à frente de um dos terreiros mais tradicionais de Salvador.

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