O setor agropecuário brasileiro acendeu o sinal de alerta no terceiro trimestre de 2025. Entre julho e setembro, foram registrados 628 pedidos de recuperação judicial, um aumento de 150% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do maior número já observado em um único trimestre desde o início da série histórica, em 2021.
Na prática, nunca tantos produtores rurais e empresas do agronegócio recorreram ao Judiciário para tentar reorganizar dívidas e manter as operações.
O avanço expressivo dos pedidos é atribuído a uma combinação de fatores. Entre eles estão o endividamento acumulado nos últimos anos, custos de produção que não recuaram na mesma proporção das receitas e dificuldades crescentes para sustentar o fluxo de caixa.
Os pequenos e médios produtores são os mais impactados, especialmente nos estados do Mato Grosso, Goiás e Paraná, regiões estratégicas para a produção agrícola nacional.
No recorte por atividade, o segmento da soja lidera os pedidos de recuperação judicial entre as empresas, com 156 solicitações no período analisado.
O movimento preocupa pelo peso do agronegócio na economia brasileira. Responsável por quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB), o setor funciona como um dos principais motores do país. Caso o ritmo de pedidos de recuperação judicial se mantenha, o problema deixa de ser pontual e passa a representar um risco estrutural, com potencial de se espalhar para outros setores da economia.