Conheça Alberto Magno de Freitas, o mergulhador da madrugada e dono d’A Borracharia

Conheça Alberto Magno de Freitas, o mergulhador da madrugada e dono d’A Borracharia

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com
Publicado em 29/11/2025 às 19:43 / Leia em 5 minutos

Alberto Magno de Freitas, o mergulhador da madrugada, surfa, pesca e é empresário da noite. Ele é dono da Borracharia, uma das mais famosas casas de show de Salvador. O lugar já foi um endereço onde se consertavam carros. Pilhas de pneus continuam por lá e enfeitam a pista de dança, como para não fazer ninguém se esquecer da história do lugar.

No bairro do Rio Vermelho, cumprimenta pessoas a cada passo que avança, como se fosse um vereador com ficha imaculada. Alberto acumula diversas histórias. Há 40 anos, tinha fama de brigão, sortudo, mulherengo e maconheiro. Mas tudo mudou ao entrar no mar com sua prancha para ajudar em um naufrágio.

“Tinha muita gente que não gostava de mim, sobretudo na polícia. No dia seguinte ao salvamento, uma verdadeira manhã de bonança, uma viatura parou à frente da minha borracharia e avisou que o chefe da polícia queria dar uma palavrinha comigo. Fiquei cabreiro, mas os homens sabiam onde me encontrar e era melhor que eu me apresentasse primeiro. Quando cheguei à delegacia, o homem veio ter comigo de olhos marejados. ‘Você salvou a vida de meu irmão ontem, meu filho’, falou o oficial. E garantiu que, enquanto eu vivesse, nunca mais teria problemas com as autoridades”, conta Alberto.

Alberto Magno de Freitas, dono d’A Borracharia. Foto: Gabriel Coimbra/Divulgação

Essa escolta perene foi muito bem-vinda quando a sua oficina mecânica virou uma das maiores casas de show da cidade. “Na nossa área, até hoje, não tem assalto ou confusão”.

Alberto conta como transformou o lugar em uma casa de shows. “Fazíamos de tudo lá: tinha retífica, funilaria, elétrica, chaparia, tudo. Um dia, um excêntrico aí, um ricaço da cidade, inventou que o piso de paralelepípedos da Borracharia, assentado por mim mesmo e pelos meus amigos – nada, nada é tão difícil quanto mover um caminhão de pedras, minha filha –, seria o endereço ideal para uma festa, e alugaram o espaço por uma noite. Neste dia, percebemos o nosso imenso potencial noturno e passamos a viver de portas abertas porque, de manhã, quando acabava a festa, chegavam os mecânicos para trabalhar, e quando eles terminavam o serviço, vinham os DJs e o público”, explica Alberto.

A Borracharia já existe há 25 anos e nem a lógica, nem a mística explicam por que as demais casas de show do Rio Vermelho, um bairro bem colocadíssimo no imaginário da população soteropolitana como o endereço de boas festas, não duram o tempo do cozimento de um miojo, enquanto a porta preta de ferro situada na Rua Conselheiro Pedro Luís resiste a qualquer intempérie.

A Borracharia sobreviveu à especulação surgida depois da tragédia da Boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, na cidade gaúcha de Santa Maria, quando 242 pessoas morreram durante um incêndio. “Foi muito triste ver que as pessoas começaram a fazer comparações e a temer que alguma coisa de ruim acontecesse lá também depois daquele incêndio. Mas a gente não discutiu com a voz de Deus e, na humildade, reformou a casa por inteiro e instalou todos os esquemas de segurança possíveis. Não se falou mais em Boate Kiss lá dentro”, comenta Alberto.

Antes da reforma na Borracharia, Alberto morava em um quarto construído sobre um mezanino dentro da própria boate. Ele investiu uma grana extra para aproveitar as vigas da reforma e construir um apartamentinho sobre uma laje de madeira perto da saída de emergência, que fica nos fundos da casa dos pais.

Alberto vive em um modesto lar sem acabamento, com telhado de zinco, um quarto sem porta, um banheiro sem parede e uma porção de objetos aleatórios retirados do mar, para variar. As festas do Dois de Fevereiro, quando o Rio Vermelho entra em alvoroço para reverenciar a orixá que protege os mares, são mais importantes que a data de seu aniversário.

“O mar, a 200 metros da costa, fica cheirando a alfazema por dias. As velas que os devotos oferecem nos balaios eu uso na minha casa. Tem gente que fala em energia pesada, mas eu acho que o mar limpa qualquer feitiço. Eu mergulho e cato tudo. Se você quiser pegar só sabonetes, você pega quantos em uma hora, no dia 3 de fevereiro?”, pergunta Alberto a Marcelo, seu irmão de consideração, que não responde porque parece mais interessado em tocar a sua gaita.

“Agora, me diga: estão jogando para quê, para os peixes comerem? Para quem é? Para Yemanjá tomar banho? Jogam perfume para Yemanjá se perfumar?”, questiona Alberto, sem esconder a crítica que sempre faz ao descuido de quase todos os frequentadores do Rio Vermelho com a natureza, e não isenta nem os adeptos da entidade do candomblé, que costumam atirar muito plástico e outros materiais poluentes em suas oferendas.

Leia o texto completo de Joana Rizério no Correio.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia