Uma família de Utah, nos Estados Unidos, obteve uma indenização considerada a maior já concedida no estado após complicações em um parto deixarem uma criança com sequelas permanentes. Anyssa Zancanella e Danniel McMicheal, pais de Azaylee, hoje com 5 anos, receberão US$ 951 milhões (aproximadamente R$ 5,2 bilhões), conforme decisão do juiz Patrick Corum neste mês.
O caso envolve a rede de saúde Steward Health Care, responsabilizada pelo parto realizado em 14 de outubro de 2019, no Jordan Valley Medical Center, em West Valley City. A ação judicial afirma que Azaylee nasceu apenas no dia seguinte, por meio de uma cesariana que deveria ter sido feita antes.
Segundo a acusação, as enfermeiras que acompanharam Anyssa eram recém-treinadas e aplicaram doses arriscadas de um medicamento indutor de parto enquanto o médico de plantão dormia em um quarto próximo. Ainda de acordo com o processo, mesmo após serem informados sobre sinais preocupantes, como febre na mãe e pressão arterial elevada do bebê, o profissional retornou ao descanso sem prestar atendimento.
O nascimento foi marcado por complicações graves. A recém-nascida precisou ser transferida de helicóptero para a UTI do Hospital Infantil Primário, em Salt Lake City, após sofrer falta de oxigênio durante o trabalho de parto. Azaylee chegou ao mundo com a cabeça deformada, hematomas e inchaço no rosto.
“[Anyssa] teria se saído melhor dando à luz no banheiro de um posto de gasolina, ou em uma cabana em algum lugar da África, do que neste hospital. Literalmente, este foi o lugar mais perigoso do planeta para ela ter dado à luz”, afirmou o juiz Corum em decisão de agosto.
As sequelas atingiram diretamente a vida da menina. Ela necessita de acompanhamento constante devido às convulsões frequentes, é em grande parte não verbal e não possui o desenvolvimento físico e cognitivo esperado para sua idade. Segundo médicos, dificilmente conseguirá realizar atividades comuns na vida adulta, como dirigir, trabalhar ou cursar uma faculdade.
A família mantém uma rotina de cuidados intensivos. Para monitorar as crises durante a noite, todos dormem juntos em uma cama ampla. Também transportam oxigênio em todos os deslocamentos, para ser usado em caso de convulsões.
“A vida dela foi roubada. Ela foi tomada de nós”, desabafou a mãe.