Ícone do reggae brasileiro, o cantor e compositor Edson Gomes foi anunciado, nesta quinta-feira (28), como uma das atrações do Lollapalooza Brasil 2026, que acontece entre os dias 20 e 22 de março, em São Paulo. A escalação histórica marca a estreia do artista no festival e levou o nome de Edson aos trending topics nas redes sociais.
Com mais de cinco décadas de carreira, Edson Gomes aparece no line-up logo após a inglesa Lola Young, de 24 anos, uma das revelações da nova geração pop. Aos 70 anos, o baiano de Cachoeira celebra a conquista como quem canta um de seus maiores clássicos, Malandrinha: “Demorou, mas chegou”.
Lenda viva do reggae
Autor de sucessos como Samarina, Serpente, Árvore, Rastafary, Criminalidade e Campo de Batalha, Edson Gomes é reconhecido por sua música de protesto, com letras afiadas sobre pobreza, desigualdade social, racismo, corrupção e o cotidiano do povo brasileiro.
Influenciado por nomes como Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff, Alpha Blondy, e também por ícones nacionais como Tim Maia e Renato e Seus Blue Caps, Edson começou a compor nos anos 70, ainda adolescente, quando o reggae era mais um sussurro cultural no Brasil.
Seu primeiro álbum, Reggae Resistência (1988), é considerado um divisor de águas no gênero. A faixa Malandrinha, do disco, foi regravada pelo Natiruts em 2015, prova da relevância contínua de sua obra entre gerações.
Repercussão e reconhecimento
Nas redes sociais, a presença de Edson no festival foi celebrada — e também alvo de desentendimento. A jornalista baiana Carol Prado destacou seu nome no line-up em uma postagem que alguns usuários interpretaram como ironia. Ela esclareceu rapidamente: “Como nem todo mundo entendeu, vim aqui esclarecer que estou falando sério. Edson Gomes é a melhor atração desse Lolla com folga.”
A confirmação do nome do cantor no festival de música alternativa mais famoso do país é uma vitória simbólica. Em meio a tantas atrações internacionais e tendências momentâneas, a presença de um artista negro, nordestino e de trajetória independente reafirma a força da música de resistência — e a importância de olhar para dentro.