O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) recebe, no próximo domingo (6), o workshop “Como fazer uma exposição de arte”, conduzido pelo curador e pesquisador Deri Andrade, com participação do arquiteto Matheus Cherem. A atividade integra a programação da exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”, atualmente em cartaz no museu, e propõe uma imersão prática no processo de concepção de uma mostra de arte, reunindo experiências de bastidores e troca com o público.
Com entrada gratuita e vagas limitadas, o workshop será dividido em dois momentos: uma visita mediada à exposição, com destaque para o percurso curatorial, e uma oficina em que os participantes serão convidados a discutir e redesenhar espacialidades possíveis para a mostra.
“É uma forma de tornar visível o que geralmente acontece por trás das paredes dos museus. A curadoria é também uma prática coletiva, que se constrói com escuta, cuidado e negociação de espaço”, afirma Deri Andrade.
A oficina marca um momento de fortalecimento das ações públicas da exposição em Salvador, cidade que abriga a maior população negra fora da África e que agora também sedia uma mostra concebida para destacar a produção artística de pessoas negras como parte estruturante da história da arte no Brasil.

Deri Andrade | Foto: Ulisses Dumas
“Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” é realizada em parceria entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o MUNCAB e chega ao museu em um momento emblemático. Em 2025, o equipamento cultural receberá mais de 700 obras de arte afro-brasileiras repatriadas dos Estados Unidos, consolidando-se como uma das instituições centrais na preservação das expressões afro-diaspóricas no país.
Para a diretora artística do museu, Jamile Coelho, a parceria com o CCBB é estratégica. “A exposição afirma a arte negra como eixo central, não desvio. Sua itinerância para Salvador fortalece esse enraizamento e amplia o acesso a narrativas antes marginalizadas”, aponta.
Para Júlio Paranaguá, gerente geral do CCBB Salvador, a circulação da mostra reforça o compromisso institucional com o acesso democrático à arte. “Trazer ‘Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira’ para Salvador é um marco. A mostra oferece um olhar necessário e abrangente sobre a produção de artistas negros no Brasil, promovendo reflexões sobre representatividade e história”.
No espaço expositivo, nomes consagrados como Rubem Valentim, Mestre Didi e Emanoel Araújo dialogam com artistas contemporâneos de diversas regiões do país. Já no workshop, o público poderá acompanhar como essas obras se conectam conceitualmente e espacialmente, além de discutir os critérios curatoriais que fundamentaram a exposição. “É uma oportunidade de aprender fazendo, olhando de perto o que sustenta uma exposição: escolhas, intencionalidades e contextos”, completa Andrade.
As inscrições para o workshop serão realizadas por meio do formulário e canais oficiais do MUNCAB. A atividade é gratuita e aberta a interessados em curadoria, arte, educação ou simplesmente em entender melhor o funcionamento de uma exposição. A exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” fica em cartaz até 31 de agosto, com visitação de terça a domingo, das 10h às 16h30. O acesso é gratuito.