Uma descoberta arqueológica no local onde os cristãos acreditam que Jesus foi enterrado reforça uma narrativa bíblica. As informações são de Fernando Moreira, no Extra.
Pesquisadores descobriram restos de um antigo jardim sob a fundação da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, uma descoberta que eles dizem estar alinhada com o Evangelho de João — um dos quatro canônicos na Bíblia, juntamente com os de Mateus, Lucas e Marcos.
Em João 19:41 está escrito: “Agora, no lugar onde ele foi crucificado, havia um jardim; e no jardim um sepulcro novo, onde ninguém ainda foi colocado. Ali eles colocaram Jesus.”
Uma equipe da Universidade Sapienza, de Roma, analisou restos de plantas do local e os datou da era pré-cristã, colocando-os em torno da época da crucificação e sepultamento de Jesus. Os historiadores geralmente datam sua morte em torno de 33 DC. Mas estudos afirmam que poderia ser entre 36 e 37, após correções históricas de ventos citados na Bíblia.
“O Evangelho menciona uma área verde entre o Calvário e o túmulo, e nós identificamos esses campos cultivados”, afirmou Francesca Romana Stasolla, arqueóloga chefe do grupo de pesquisadores, ao jornal “The Times of Israel”.
A descoberta contribui para o debate em andamento há séculos sobre a localização exata do sepultamento de Jesus.
Muitos estudiosos apoiam a Igreja do Santo Sepulcro como o local, citando a presença de tumbas escavadas na rocha do primeiro século.
Outros argumentam que o Túmulo do Jardim, outro antigo local de sepultamento em Jerusalém, corresponde melhor às descrições bíblicas.
As escavações começaram durante as reformas da igreja em 2022, mas a equipe encontrou recentemente o que “mostrou evidências da presença de oliveiras e videiras de cerca de 2.000 anos atrás”.
O local da Igreja do Santo Sepulcro recebe cerca de quatro milhões de visitantes a cada ano. Ela foi erguida no topo de um templo romano dedicado à deusa Vênus em 335 DC.
A construção foi encomendada pelo imperador romano Constantino I e, durante a conversão, foi descoberto um túmulo que se acredita ser o de Jesus, que morrera quase 300 anos antes.
De acordo com Francesca, as camadas ocultas sob o piso da igreja revelaram novos detalhes sobre a história da antiga Jerusalém:
“A igreja fica em uma pedreira, o que não nos surpreende porque uma grande parte da Cidade Velha de Jerusalém fica em uma pedreira. A pedreira já estava ativa na Idade do Ferro. Durante a escavação, encontramos cerâmica, lâmpadas e outros objetos cotidianos que datam daquele período.”
Depois que a pedreira parou de operar, a área foi usada para terras agrícolas.
“‘Paredes baixas de pedra foram erguidas, e o espaço entre elas foi preenchido com terra”, declarou Francesca.
Além de terras agrícolas, a antiga pedreira também foi reaproveitada como um cemitério com tumbas esculpidas em rochas. Francesca sugeriu que Constantino sabia qual tumba era de Jesus e construiu a igreja em cima para isolá-la dos sepultamentos ao redor. A equipe de arqueólogos também descobriu uma base circular de mármore abaixo do santuário, envolvendo o que se acredita ser a tumba de Jesus. Eles conduzirão mais testes para determinar a idade e a origem do mármore.