O Carnaval de 2025 está se aproximando mas uma novidade pode mudar a forma como nos preparamos para a festa: a proposta do Vaticano para fixar a data da Páscoa, o que impactaria diretamente no calendário da folia. Embora o mês de fevereiro seja tradicionalmente associado à celebração, neste ano, o Carnaval será em março, mais precisamente no dia 4, a terça-feira gorda, que sempre ocorre 46 dias antes do domingo de Páscoa.
Em janeiro, o papa Francisco anunciou que a Igreja Católica está disposta a alterar seu calendário litúrgico e estabelecer uma data fixa para a Páscoa, o que acarretaria, por consequência, uma data fixa para o Carnaval. Mas como essa mudança impactaria as festas e os feriados?
Atualmente, a data do Carnaval é “móvel”, variando de ano para ano, pois é calculada em relação à Páscoa. Essa relação astronômica faz com que o evento seja determinado pela lua cheia, surgindo sempre após o equinócio de primavera no hemisfério norte (ou outono no hemisfério sul). Este ano, por exemplo, a Páscoa será no domingo, 20 de abril, e o Carnaval será celebrado em 4 de março, como parte da contagem que determina o intervalo entre a terça-feira de folia e o domingo de ressurreição.
Feriado ou Ponto Facultativo?
Enquanto a folia toma conta das ruas, surge uma dúvida: o Carnaval é feriado? A resposta varia conforme a cidade. No Rio de Janeiro, por exemplo, a terça-feira de Carnaval é feriado oficial, mas em outros locais, como São Paulo, o dia é considerado ponto facultativo. Isso significa que, enquanto servidores públicos podem optar por descansar, empresas do setor privado decidem se a data será de trabalho ou folga.
Algumas cidades têm leis próprias que decretam o Carnaval como feriado, como é o caso de Balneário Camboriú (SC) e Belo Horizonte (MG), onde a folia ganha status de descanso. Já em outros locais, como em São Paulo, a Prefeitura decretou os dias 3 e 4 de março, além da quarta-feira de Cinzas até o meio-dia, como ponto facultativo.
As empresas, por sua vez, têm a liberdade de oferecer a terça-feira de folia como folga ou até mesmo negociar com os trabalhadores uma compensação das horas não trabalhadas.
A Origem do Cálculo da Páscoa
Para entender melhor essa dança de datas, é preciso olhar para a origem do cálculo da Páscoa. A festa cristã remonta à Páscoa judaica (Pesach), que também é calculada a partir dos ciclos lunares. A Páscoa cristã marca a ressurreição de Cristo, enquanto o Pesach relembra a fuga dos judeus do Egito.
Inicialmente, a Páscoa cristã coincidia com o Pesach, mas, com o tempo, a Igreja optou por celebrá-la no domingo seguinte à lua cheia após o equinócio, criando um método que perdura até hoje. Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C., que a data da Páscoa foi oficialmente estabelecida para todos os cristãos, separada da celebração judaica. As tradições ortodoxas, no entanto, ainda celebram a Páscoa em datas diferentes.
A proposta do papa Francisco de fixar a data da Páscoa traz consigo a possibilidade de padronizar também o Carnaval, algo que pode mudar para sempre o calendário das festas. Quem sabe, em breve, não teremos uma data fixa para se preparar para a folia, garantindo um planejamento anual mais certeiro para milhões de foliões.