Receita de cocada criada por baiana de 80 anos inspira rede de 5 lojas em São Paulo; conheça a Doces Vó Nena

Receita de cocada criada por baiana de 80 anos inspira rede de 5 lojas em São Paulo; conheça a Doces Vó Nena

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion, com informações do Estadão

Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 22/06/2024 às 14:34 / Leia em 3 minutos

Foi a lembrança de um sabor de infância, a cocada da sua tia Helena, que levou o baiano Eraldo Soglia a empreender. Criado com simplicidade no interior da Bahia, ele voltou à sua cidade natal, Maracás, no centro-sul baiano, para resgatar a receita de família tida como secreta. O doce deu base à Doces Vó Nena, marca de doces caseiros, baseada em São Paulo.

“Cresci em favela, usando roupa doada. Quando vivi coisas diferentes e tive prazer nisso, passei a querer cada vez mais”, contou ao Estadão o baiano, que se mudou para São Paulo aos 9 anos. Na capital paulista, antes da decisão de empreender, vendeu chocolates no transporte público aos 14 anos e, aos 15, passou a trabalhar como office-boy, antes de vender eletrônicos. Aos 25, comprou um carro com dinheiro emprestado e virou taxista e só aos 33 foi que conquistou o próprio negócio, com o sonho de “acrescentar algo à vida das pessoas”.

A ideia de celebrar a história da família veio depois de notar doces diversos na bancada próxima ao caixa de um restaurante. “Lembrei imediatamente da cocada que a minha tia fazia. Era o produto perfeito, não encontrava nada parecido em São Paulo”. Foi o que o fez voltar às suas raízes, atrás da receita.

Eraldo fez da memória afetiva um projeto de sucesso | Foto: Divulgação

“Meus parentes avisaram: nem vá, que ela não ensina. A receita da tia Helena é o xodó dela”, conta. Com a promessa de colocar o seu apelido na marca – o nome Tia Nena já estava registrado, então ele decidiu por Vó Nena, já que ela também é avó de mais de 15 netos -, no entanto, ele conseguiu o que parecia impossível. “Ela me ensinou sem nem questionar, foi muito generosa”, revela.

A receita única, famosa em Maracás, nasceu de uma falha de memória. A Tia Nena a ouviu durante o comercial de uma radionovela, quando tinha 15 anos – hoje, tem 80. Pega de surpresa, não conseguiu anotar todo o passo a passo, mas arriscou fazer ainda assim com o que lembrava e foi aprimorando a cada repetição do processo.

No percurso até hoje, foram muitos altos e baixos e uma pandemia. Eraldo investiu R$ 400 mil – emprestados de várias bancos – para lançar a marca em setembro de 2015. No processo, acabou o dinheiro, mas fez um pacto com os cinco funcionários que estavam com ele: se ficassem, ajudando e vendendo bem, virariam sócios e foi o que aconteceu no mesmo mês.

Até a chegada da Covid-19, a marca chegou a ter 16 lojas na capital paulista. Com a crise, 11 fecharam e, hoje, com uma estrutura mais sólida, a Doces Vó Nena tem cinco lojas – uma na fábrica no Sacomã, zona sul de São Paulo, e quatro em estações de metrô da cidade – e 31 funcionários. Além disso, os doces caseiros, que vão além da cocada, passando por palhas italianas e doce de leite, por exemplo, também são distribuídos em mais de 600 pontos de venda em cidades paulistas e mineiras. Agora, Eraldo pode viver seu grande plano: “estar à frente de um projeto que acrescente de alguma forma às pessoas”.

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