‘Incêndios zumbis’: entenda fenômeno que pode estar relacionado ao aquecimento atmosférico

‘Incêndios zumbis’: entenda fenômeno que pode estar relacionado ao aquecimento atmosférico

Redação Alô Alô Bahia

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Parques Nacionais do Ártico Ocidental/flickr/CC-BY-SA 2.0

Publicado em 05/06/2024 às 09:31 / Leia em 3 minutos

Os “incêndios zumbis” são eventos que acontecem nas regiões do Ártico, como a Sibéria, o Alasca e o Canadá, queimando no subsolo durante o inverno, até que voltam a arder na superfície durante a primavera.

Esses incêndios têm se tornado mais comuns e sua origem intriga os cientistas.

Os incêndios zumbis geralmente surgem em maio, primavera no hemisfério norte, muito antes do habitual na região e podem reacender durante vários anos. Alguns cientistas pensam que os incêndios zumbis são restos de incêndios na superfície.

Uma nova pesquisa publicada na revista The Royal Society, pode ter encontrado uma explicação melhor para a ocorrência deles.

O estudo sugeriu que os incêndios zumbis estão relacionados ao rápido aquecimento atmosférico que aquece também o solo turfoso em temperaturas tão altas a ponto de causar combustões espontâneas.

A ocorrência desses eventos data de 1940, quando eles ainda eram raros. No entanto, nos últimos 20 anos esses incêndios têm se tornado mais frequentes, ao mesmo tempo que o Ártico tem passado por um aquecimento acelerado. Só em 2024, mais de 100 incêndios zumbis estavam ativos na Colúmbia Britânica, no Canadá.
O problema desses incêndios é que existe uma grande quantidade de carbono retido nos solos turfosos, acarretando liberações de milhares de toneladas na atmosfera. Assim, os pesquisadores querem saber se o aquecimento repentino poderia ser o responsável direto.

Como os incêndios acontecem?

Na pesquisa foi desenvolvido um modelo matemático que explorou diferentes cenários hipotéticos que consideraram até mesmo temperatura, teor de carbono no solo e micróbios que decompõem a turfa e liberam carbono na atmosfera.

Os modelos revelaram que os micróbios podem aquecer o subsolo em temperaturas próximas aos 80 graus Celsius. Com todo esse calor, o solo pode pegar fogo na primavera, mesmo em locais onde incêndios nunca aconteceram e sem as temperaturas atmosféricas que normalmente são necessárias.

A essas temperaturas do solo sempre quente, os pesquisadores deram o nome de “estado quente metaestável dos solos turfosos”, em que as altas temperaturas duram um tempo longo de até dez anos até que a turfa se queime.

Descobriu-se também que para esse incêndio ser desencadeado é preciso que o aumento da temperatura ambiente seja mais rápido do que alguma taxa crítica, isto é, não é exatamente o calor que causa os incêndios zumbis, mas sim a taxa de aquecimento atmosférico.

Essa descoberta é importante porque ajuda a entender como esse estado é desencadeado por padrões climáticos realistas, para além dos modelos, como nas ondas de calor do verão e no aquecimento global.

Ainda não se sabe se é realmente isso que acontece no mundo real, visto que o fenômeno foi observado apenas nos modelos, no entanto, já foi observado que um composto muito semelhante ao solo turfoso pega fogo da mesma forma.

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