A força do Sul ainda dita o ritmo do vinho brasileiro, mas a edição 2026 da Grande Prova Vinhos do Brasil 2026 mostrou que novos territórios estão definitivamente no mapa e com protagonismo. Entre os destaques, um espumante produzido no Vale do São Francisco, na Bahia, colocou o Nordeste entre os melhores do país ao vencer em uma das categorias mais disputadas da premiação.
Foram analisadas 1.291 amostras de 10 estados, distribuídas em 61 categorias. O Rio Grande do Sul liderou com folga, somando 46 rótulos campeões e cerca de 300 premiações no total, seguido por Minas Gerais e São Paulo. Ainda assim, o crescimento de regiões emergentes e técnicas como a dupla poda reforça um novo momento da vitivinicultura brasileira.
“O Rio Grande do Sul manteve a liderança tanto no número de amostras inscritas quanto em resultados, com 300 premiações. Por outro lado, a Grande Prova foi palco do crescimento dos vinhos de dupla poda, que já representam mais de 20% do total de amostras”, explica Marcelo Copello, presidente do júri e sócio do Grupo Baco.
É nesse cenário de expansão que o Nordeste ganha espaço. O espumante Terranova Rosé de Noir, da Miolo, produzido no Vale do São Francisco, foi eleito o melhor na categoria Brut Rosé Charmat, um reconhecimento importante para uma região que desafia padrões tradicionais ao produzir vinhos em clima semiárido, com colheitas ao longo de todo o ano.

Além dele, outras regiões fora do eixo tradicional também apareceram entre os vencedores, como Brasília, com o Syrah premiado da vinícola Vila Triacca. Para Sergio Queiroz, também sócio do Grupo Baco, essa diversidade aponta para um futuro promissor. “A presença de 10 estados, com vinhos chegando de locais inimagináveis até pouco tempo atrás, mostra o quando podemos vislumbrar um futuro animador, em especial por essa disseminação dos parreirais levarem junto a cultura do vinho”, conta Queiroz.
A edição também refletiu mudanças no consumo, ao ampliar categorias como espumantes sem álcool e sucos integrais, além de incluir novas uvas e estilos. Ao todo, 28 jurados de diferentes estados participaram da avaliação, com certificações internacionais e atuação em instituições de referência. A premiação oficial será realizada no dia 13 de maio, durante a Wine South America, em Bento Gonçalves (RS).
Entre os principais vencedores, a lista revela o equilíbrio entre tradição e novidade no vinho brasileiro:
Destaques entre os campeões da Grande Prova Vinhos do Brasil 2026
Nos brancos, o Chardonnay teve empate entre rótulos da Serra Gaúcha e de São Paulo, enquanto o Gewurztraminer Zanotto e o Moscato Monte Sant’Ana Savoir Giallo reforçaram a força do Sul. Minas Gerais apareceu com destaque em uvas como Alvarinho e Viognier.
Entre os tintos, o Allumé Cabernet Sauvignon e o Monte Paschoal Gran Reserva Merlot confirmaram o domínio gaúcho, enquanto rótulos de Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal ampliaram o mapa da excelência nacional. O Syrah teve empate, incluindo um exemplar de Brasília.
Nos espumantes, uma das categorias mais diversas, o país mostrou amplitude de estilos e terroirs. Além do destaque baiano no Brut Rosé Charmat, rótulos da Serra Gaúcha dominaram categorias como Champenoise, Prosecco e Moscatel.
Também houve premiações para vinhos doces e fortificados, frisantes, suaves, laranja, além de sucos integrais e espumantes sem álcool, evidenciando a pluralidade da produção brasileira atual.