O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma nova política que exclui atletas transgênero das competições femininas nos Jogos Olímpicos. A decisão se alinha à ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre esportes femininos, mirando especialmente os Jogos de Olimpíadas de Los Angeles 2028.
“A elegibilidade para qualquer evento da categoria feminina nos Jogos Olímpicos ou em qualquer outro evento do COI, incluindo esportes individuais e coletivos, agora está limitada a mulheres biológicas”, afirmou o Comitê Olímpico Internacional, “determinada com base em um exame genético único do gene SRY”.
A nova regra passa a valer a partir de julho de 2028 e, segundo o COI, “protege a justiça, a segurança e a integridade na categoria feminina”. O comitê também destacou que “não é retroativo e não se aplica a programas esportivos de base ou recreativos”, reforçando que a Carta Olímpica considera o acesso ao esporte um direito humano.
Ainda não há clareza sobre quantas mulheres trans competem em nível olímpico. Nenhuma atleta que realizou transição de gênero participou dos Jogos Olímpicos de Olimpíadas de Paris 2024. O novo documento, com 10 páginas, também restringe a participação de atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), como a bicampeã olímpica Caster Semenya.
A presidente do COI, Kirsty Coventry, defendeu a criação de uma diretriz única, substituindo o modelo anterior, em que federações internacionais definiam suas próprias regras. Coventry havia colocado a revisão da elegibilidade feminina como uma de suas primeiras prioridades ao assumir o cargo, tornando-se a primeira mulher a liderar o COI em 132 anos.
O tema ganhou força durante a eleição interna do comitê no ano passado, quando candidatos rivais prometeram regras mais rígidas. Antes mesmo dos Jogos de Paris, modalidades como atletismo, natação e ciclismo já haviam adotado restrições a atletas trans que passaram pela puberdade masculina.
O documento do COI detalha estudos que apontam vantagens físicas associadas ao sexo masculino. “Os homens experimentam três picos significativos de testosterona: no útero, na mini-puberdade da infância e a partir da puberdade da adolescência até a idade adulta”, diz o texto. Segundo o comitê, isso resulta em “vantagens de desempenho individuais baseadas no sexo em esportes e eventos que dependem de força, potência e/ou resistência”.