Hospital São Rafael inaugura laboratório em Salvador para pesquisar terapias genéticas contra anemia falciforme

Hospital São Rafael inaugura laboratório em Salvador para pesquisar terapias genéticas contra anemia falciforme

Redação Alô Alô Bahia

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Divulgação

Publicado em 04/11/2026 às 18:26

O Hospital São Rafael, da Rede D’Or, inaugura neste mês de novembro, em Salvador, um laboratório dedicado ao desenvolvimento de terapias celulares e genéticas experimentais. A nova estrutura terá como prioridade inicial a pesquisa de uma terapia com edição gênica para a anemia falciforme, doença hereditária que altera o formato dos glóbulos vermelhos e apresenta elevada prevalência na Bahia.

Batizado de Plataforma de Pesquisa e Desenvolvimento de Terapias Avançadas, o laboratório conta com apoio do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Um dos principais diferenciais da unidade é a instalação de uma sala limpa de 111 metros quadrados, ambiente com ar ultrafiltrado e controle rigoroso de pressão e temperatura, projetado para atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a padrões internacionais.

O espaço possui três salas de cultivo celular e uma área de apoio para processamento e preparo de soluções, permitindo a manipulação de materiais utilizados no desenvolvimento de terapias avançadas.

Pesquisa com edição genética

A principal linha de pesquisa do laboratório utiliza a tecnologia CRISPR, conhecida como uma espécie de “tesoura molecular”, capaz de modificar pontos específicos do DNA.

No caso da anemia falciforme, os pesquisadores estudam uma estratégia para reativar a produção de hemoglobina fetal, o que pode reduzir os efeitos da doença.

A proposta envolve coletar células-tronco do sangue do próprio participante, realizar a edição genética em laboratório e, posteriormente, devolver essas células ao organismo, dentro de um estudo clínico autorizado.

“O diferencial do novo laboratório é reunir, num hospital do Nordeste, a capacidade de desenvolver e fabricar para pesquisa clínica terapias hoje concentradas no exterior e em poucos centros do Sudeste”, afirma o médico e pesquisador Bruno Solano, coordenador da unidade.

Além da anemia falciforme, a estrutura desenvolverá pesquisas com células CAR-T, utilizadas em determinadas imunoterapias contra cânceres do sangue, e estudos relacionados à síndrome do desconforto respiratório agudo.

Laboratório não oferecerá tratamentos diretamente ao público

Apesar do potencial das pesquisas, o novo laboratório não funcionará como uma unidade de atendimento para pacientes interessados em receber terapias experimentais.

Segundo Bruno Solano, os tratamentos em desenvolvimento somente poderão ser administrados a participantes de estudos clínicos aprovados pelos comitês de ética e pela Anvisa.

“As terapias em desenvolvimento só podem ser aplicadas a participantes de estudos clínicos aprovados pelos comitês de ética e pela Anvisa, e não estão disponíveis fora desses estudos”, esclarece.

O laboratório também dará suporte a atividades assistenciais do Hospital São Rafael, incluindo a criopreservação de células utilizadas em transplantes de medula óssea.

Equipe especializada

A nova estrutura contará com dez profissionais, entre médicos, biólogos e biomédicos, dos quais sete possuem doutorado e dois têm mestrado.

O projeto prevê ainda a participação de pesquisadores e estudantes de pós-graduação de instituições parceiras, como o IDOR e a Fiocruz Bahia.

A plataforma representa uma ampliação das atividades do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC), que já funciona no Hospital São Rafael e desenvolve trabalhos relacionados à preservação de células e ao suporte a terapias celulares.

Para Solano, a iniciativa poderá contribuir para reduzir a dependência de tecnologias importadas, formar profissionais especializados e ampliar a capacidade de pesquisa científica na Bahia.

 

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