População de baleias-jubarte no Brasil salta de 1,5 mil para mais de 35 mil em três décadas; Bahia é destaque na recuperação

População de baleias-jubarte no Brasil salta de 1,5 mil para mais de 35 mil em três décadas; Bahia é destaque na recuperação

Redação Alô Alô Bahia

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Tânia Rêgo/Agência Brasil

Publicado em 02/11/2026 às 13:04

Levantamento do Instituto Baleia Jubarte mostra recuperação da espécie, que encontra no arquipélago de Abrolhos um dos principais locais de reprodução

A população de baleias-jubarte no Brasil passou de cerca de 1,5 mil animais, no início da década de 1990, para mais de 35 mil, segundo estimativas do Instituto Baleia Jubarte. A recuperação da espécie tem como um de seus principais cenários o arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, destino procurado anualmente pelos animais durante o período de reprodução.

O número de mais de 35 mil baleias foi registrado na estimativa populacional de 2022, a mais recente citada pelo instituto. Um novo levantamento está em elaboração e poderá apresentar variações em relação ao resultado anterior.

Todos os anos, as jubartes deixam as águas próximas à Antártica e migram para a costa brasileira, onde acasalam e dão à luz seus filhotes. A região de Abrolhos é uma das principais áreas de concentração desses animais.

A recuperação representa uma mudança significativa em relação ao período em que as baleias eram caçadas para a extração de gordura, utilizada principalmente na produção de óleo para iluminação. A caça comercial de baleias foi proibida no Brasil em 1987.

No ano seguinte, pesquisadores que participavam de atividades relacionadas à implantação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos identificaram uma pequena população sobrevivente na região. A descoberta impulsionou o trabalho de conservação desenvolvido por Enrico Marcovaldi e Márcia Engel, responsáveis pela criação do Projeto Baleia Jubarte.

“Na primeira estimativa populacional nossa, que foi no princípio da década de 90, tinha de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade”, afirmou Marcovaldi.

Em 2014, a jubarte deixou a lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, resultado de décadas de proteção e monitoramento.

Pesquisas em Abrolhos

O Instituto Baleia Jubarte realiza expedições científicas para acompanhar a presença dos animais no litoral brasileiro, estudar seus hábitos e produzir estimativas populacionais.

Uma das técnicas utilizadas é a identificação das baleias por meio de fotografias da parte inferior da cauda. Cada animal apresenta um padrão único de marcas, que funciona como uma espécie de impressão digital.

Os registros já permitiram identificar mais de 10 mil baleias. Atualmente, as imagens também são analisadas com o auxílio de inteligência artificial, em uma plataforma colaborativa utilizada por pesquisadores de diferentes países.

As estimativas populacionais são realizadas principalmente por meio de sobrevoos ao longo do litoral brasileiro, entre São Paulo e Rio Grande do Norte.

Segundo Marcovaldi, eventuais oscilações na quantidade de animais observados não significam necessariamente uma redução da população.

“As temporadas são cíclicas. Em algumas você vê mais baleias, em outras você vê menos. Tem anos que elas ficam mais no Sul, outros que elas avançam mais pro Nordeste”, explicou.

Mudanças climáticas preocupam pesquisadores

Apesar da recuperação, as baleias-jubarte continuam expostas a ameaças como poluição marinha e mudanças climáticas.

De acordo com Eduardo Camargo, diretor-executivo do Instituto Baleia Jubarte, um dos principais desafios atuais é conciliar as atividades humanas com a conservação dos animais.

“O lixo impacta o oceano inteiro, que está coberto de microplástico. A questão climática afeta a disponibilidade de alimento, que rege todo o ciclo de vida dos animais”, afirmou.

Pesquisadores também investigam como as alterações na temperatura das águas próximas à Antártica podem afetar a disponibilidade de krill, principal alimento das jubartes, e influenciar sua sobrevivência e reprodução.

Ao longo de sua trajetória, o Instituto Baleia Jubarte já recebeu mais de 700 estudantes de graduação, participou de cerca de 60 projetos de mestrado e doutorado e contribuiu para a publicação de mais de 130 artigos científicos.

O trabalho reforça a importância da Bahia na conservação de uma das espécies mais emblemáticas da vida marinha brasileira.

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