O Flamengo empatou em 0 a 0 com o Estudiantes nesta quinta-feira (15), em La Plata, na Argentina, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores de 2026. O resultado mantém a disputa pela vaga na final completamente aberta para o confronto no Maracanã, mas a atuação rubro-negra deixou preocupações. Apesar de controlar a posse de bola, a equipe de Leonardo Jardim não conseguiu transformar essa vantagem em oportunidades e terminou a partida sem uma única finalização na direção do gol.
Flamengo teve a bola, mas não conseguiu controlar o ataque
A principal contradição da atuação rubro-negra esteve na diferença entre posse e produção ofensiva. O Flamengo terminou com 59% de posse de bola, mas registrou apenas cinco finalizações, nenhuma delas no alvo. O Estudiantes, mesmo com menos tempo com a bola, finalizou 18 vezes e encontrou caminhos mais objetivos para chegar à área adversária.
A estratégia de Leonardo Jardim passou por reduzir o ritmo da partida e evitar que a pressão argentina transformasse o confronto em um jogo de transições constantes. A circulação de passes ajudou a diminuir determinados momentos de intensidade do Estudiantes, mas raramente provocou desequilíbrios na defesa adversária.
O Flamengo teve dificuldades para acelerar depois de superar a primeira linha de pressão. A bola circulava entre os setores sem encontrar passes que rompessem a marcação, enquanto os movimentos pelos lados terminavam frequentemente em cruzamentos bloqueados ou jogadas interrompidas.
Ausências no meio-campo comprometeram a criação rubro-negra
Sem Jorginho, suspenso, e Arrascaeta, lesionado, o Flamengo perdeu duas referências importantes para organizar o jogo. Saúl e Erick Pulgar não conseguiram oferecer a mesma capacidade de construção, enquanto Lucas Paquetá encontrou dificuldades para receber em condições favoráveis e acelerar as jogadas.
Carrascal foi quem mais tentou criar alternativas entre os jogadores ofensivos, mas suas iniciativas tiveram pouca continuidade. Samuel Lino não conseguiu explorar os espaços pelos lados com frequência, e Bruno Henrique permaneceu isolado em diferentes momentos, recebendo poucas bolas em condições de enfrentar a defesa argentina.
O problema não esteve apenas nas atuações individuais. A distância entre os jogadores de criação e o setor ofensivo dificultou as combinações rápidas. Quando o Flamengo conseguia avançar, faltavam aproximações para oferecer opções de passe e sustentar a jogada no campo adversário.
Defesa compensou dificuldades ofensivas, mas sofreu pelo alto
Se o ataque não funcionou, o sistema defensivo teve papel decisivo para preservar o empate. Léo Pereira evitou um gol praticamente em cima da linha após finalização de Tiago Palacios, enquanto Alex Sandro também apareceu com um bloqueio importante no segundo tempo.
O Estudiantes explorou especialmente os cruzamentos, as bolas paradas e as disputas pela segunda bola. Guido Carrillo ofereceu uma referência física dentro da área, obrigando os zagueiros flamenguistas a disputar constantemente pelo alto. Apesar do volume ofensivo argentino, a maior parte das conclusões não teve precisão suficiente para alterar o placar.
Leonardo Jardim demorou a modificar a equipe e priorizou preservar a estrutura física e defensiva. Pedro, Plata e Joaquín Freitas entraram na reta final, mas não conseguiram alterar a dinâmica ofensiva. A decisão de manter jogadores com maior presença nas disputas aéreas ajudou a proteger a área, embora tenha limitado as possibilidades de reação durante o confronto.
O saldo deixa uma questão para o jogo de volta. O Flamengo conseguiu atravessar uma semifinal fora de casa sem sofrer gols, mas precisará recuperar a capacidade de criar oportunidades para transformar o mando de campo em classificação. A possível volta de Jorginho oferece uma alternativa importante para melhorar a circulação e a progressão da bola.
Antes da decisão continental, o Flamengo, líder do Campeonato Brasileiro, enfrenta o Bahia neste domingo (18), às 18h30, na Arena Fonte Nova. O Estudiantes recebe o San Lorenzo no mesmo dia, pelo Torneio Clausura argentino. As equipes voltam a se enfrentar pela Libertadores na quinta-feira (22), às 21h30, no Maracanã. Uma vitória garante a classificação de qualquer um dos lados, enquanto outro empate levará a disputa para os pênaltis. O Flamengo segue invicto na competição, mas ainda precisa vencer para chegar à final.