Dia do Professor: Quem foi Anísio Teixeira, o educador baiano que idealizou a Escola Parque?

Dia do Professor: Quem foi Anísio Teixeira, o educador baiano que idealizou a Escola Parque?

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Ascom/IAT

Publicado em 15/10/2026 às 14:19

A ideia de que a escola deve ir além do ensino das disciplinas tradicionais e contribuir para a formação integral dos estudantes já fazia parte dos projetos do educador baiano Anísio Teixeira há mais de sete décadas. Em Salvador, esse pensamento ganhou forma com a criação da Escola Parque, complexo educacional inaugurado em 1950 que se tornou uma referência na história da educação brasileira.

Nascido em Caetité, no sertão da Bahia, em 12 de julho de 1900, Anísio Spínola Teixeira foi professor, filósofo da educação e gestor público. Formado em Direito, ele iniciou sua trajetória na área educacional em 1924, quando assumiu o cargo de inspetor-geral do Ensino da Bahia. Em 1928, passou a lecionar filosofia e história da educação na Escola Normal de Salvador, confirmando também sua atuação em sala de aula. Ao longo da carreira, defendeu uma escola pública, gratuita, laica e acessível a todos.

A proposta que daria origem à Escola Parque começou a ser desenvolvida quando Anísio assumiu a Secretaria de Educação e Saúde da Bahia, em 1947, durante o governo de Otávio Mangabeira. Naquele período, o educador defendia que ampliar o acesso à escola não era suficiente. Segundo ele, era necessário oferecer uma formação mais abrangente, capaz de desenvolver diferentes habilidades e ampliar as oportunidades dos estudantes.

Foi nesse contexto que nasceu o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, conhecido como Escola Parque, no bairro da Caixa d’Água, na capital baiana. Inaugurado em setembro de 1950, o conjunto foi concebido para articular as chamadas escolas-classe, voltadas ao ensino regular, com a Escola Parque, onde os alunos teriam acesso a atividades complementares, como artes, trabalhos manuais, práticas esportivas e outras experiências educativas. O projeto original previa a construção de oito unidades, mas apenas um conjunto foi efetivamente implantado.

A iniciativa refletia a visão de Anísio Teixeira de que a educação deveria contribuir não apenas para o aprendizado intelectual, mas também para a formação social e cultural dos estudantes. A integração entre ensino, arte, cultura, contato com a natureza e preparação para a vida profissional fazia parte da proposta. O complexo também recebeu obras de artistas modernistas convidados pelo educador, reforçando a presença das artes no ambiente escolar.

O projeto arquitetônico do conjunto foi desenvolvido pelo arquiteto baiano Diógenes Rebouças. Com espaços destinados a atividades educativas, culturais e esportivas, a Escola Parque representou uma experiência de educação integrada em um período no qual o acesso a oportunidades de ensino ainda era um desafio para grande parte da população brasileira. Em reconhecimento à sua importância histórica e arquitetônica, o complexo foi tombado como Patrimônio Cultural da Bahia em 1981.

A trajetória de Anísio Teixeira também ultrapassou as fronteiras baianas. Ele ocupou cargos importantes na administração educacional brasileira, dirigiu o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep) e participou da concepção da Universidade de Brasília (UnB). Em 2024, foi declarado Patrono da Escola Pública Brasileira, por meio da Lei Federal nº 15.000, em reconhecimento à sua contribuição para a defesa do ensino público.

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