Pedreiro viaja mais de mil km para conhecer namorada e, ao chegar lá, descobre que mulher era criada por IA

Pedreiro viaja mais de mil km para conhecer namorada e, ao chegar lá, descobre que mulher era criada por IA

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 14/10/2026 às 14:55

Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajou mais de 2 mil quilômetros entre Imperatriz, no Maranhão, e Belo Horizonte acreditando que finalmente encontraria a mulher com quem conversava pela internet. Sem endereço, mas carregando fotos dela, o pedreiro percorreu ruas da capital mineira e chegou a procurar uma rádio para tentar descobrir onde ela morava. A mulher, porém, não existia: as imagens e a identidade usadas nas conversas pertenciam a uma personagem criada com inteligência artificial.

Divorciado, Edimar deixou o Maranhão na sexta-feira e chegou a Belo Horizonte no domingo (11). Segundo ele, acreditava estar diante de uma mulher interessada em construir uma vida ao seu lado. A personagem aparecia nas redes sociais como Jéssica Oliveira e Jessica Fazendeira, acumulando mais de 300 mil seguidores e divulgando uma plataforma de vendas pela internet. Nos vídeos, apresentava aparência e voz realistas, dizia ser divorciada e afirmava procurar um homem para viver com ela em uma fazenda no interior.

As conversas também continuavam no privado. De acordo com Edimar, a suposta mulher chegou a oferecer ajuda para organizar o encontro, inclusive com promessas de pagar a passagem, buscá-lo e fornecer o endereço. “Sempre oferecia para pagar minha passagem, me buscar em qualquer lugar, passar o endereço, e eram assim as propostas”, relatou. Ele afirma que nunca recebeu pedido de dinheiro.

Ao chegar à capital mineira, entretanto, o pedreiro não conseguiu localizar a mulher. Passou a mostrar as fotografias pelas ruas e perguntar se alguém a conhecia, sem obter informações. “Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado”, afirmou ao portal G1. Depois das tentativas frustradas, Edimar foi encaminhado à Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte.

A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que ele recebeu alimentação, banho e orientações sobre os riscos de golpes praticados por meio das redes sociais. Após avaliação da equipe técnica, a prefeitura providenciou uma passagem para Augustinópolis, no Tocantins, cidade natal de Edimar e destino que ele pretendia seguir. O pedreiro embarcou na tarde de terça-feira (13). Antes da viagem, lamentou o que aconteceu: “Isso aí é uma coisa que não era nem para existir. Era para uma lei botar em cima disso aí, que todo mundo é enganado. Qualquer um cai”.

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