O cantor baiano Netinho, que faleceu nesta terça-feira (13), também ficou conhecido por sua atuação política nos últimos anos da vida pública. Apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o artista participou de manifestações conservadoras, defendeu pautas alinhadas ao bolsonarismo e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022, sem conseguir se eleger.
Um dos episódios de maior repercussão aconteceu em 2021, quando Netinho participou de uma manifestação pró-Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. Na ocasião, o cantor interpretou “Milla”, um dos maiores sucessos de sua carreira, em um ato no qual manifestantes defendiam, entre outras pautas, a intervenção militar. A apresentação provocou uma reação pública de Manno Góes, compositor da música, que criticou o uso da canção no evento e afirmou que buscaria na Justiça a retirada dos vídeos.
A aproximação com Bolsonaro também incluiu encontros públicos. Em julho de 2020, Netinho esteve com o então presidente no Palácio da Alvorada, em Brasília, e cantou “Milla” ao lado dele. O encontro ocorreu durante a pandemia de Covid-19 e gerou críticas, em meio à repercussão das declarações de Bolsonaro sobre tratamentos para a doença.
Cantor se declarou ‘soldado de Bolsonaro’
Em janeiro de 2022, Netinho anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pela Bahia. O convite havia partido da deputada Carla Zambelli, então uma das aliadas do presidente. Ao confirmar a decisão, o cantor declarou que pretendia atuar no Congresso como um “soldado de Jair Bolsonaro” e citou os valores “Deus, Pátria, Família e Liberdade” como princípios de sua atuação política.
Filiado ao PL, partido de Bolsonaro, Netinho recebeu 31.448 votos nas eleições de outubro de 2022, mas não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Publicações sobre os atos de 8 de janeiro geraram polêmica
Em janeiro de 2023, o cantor voltou ao centro de uma controvérsia política ao publicar mensagens de apoio às manifestações que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 daquele mês.
Antes dos ataques, Netinho havia defendido nas redes sociais a realização de mobilizações em Brasília e mencionado a participação de colecionadores, atiradores e caçadores, conhecidos como CACs. Também escreveu que seria necessário “invadir pacificamente Brasília”, em referência à pressão pela retirada de autoridades do poder.
As publicações tiveram consequências profissionais. O Iate Clube de Aracaju cancelou uma apresentação do cantor que estava prevista para aquele mês, afirmando que não compactuava com atos antidemocráticos. Netinho contestou a decisão, negou ter incentivado vandalismo e afirmou que o cancelamento provocava prejuízos financeiros e à sua imagem.
A trajetória política do artista ficou marcada, assim, pela proximidade com Bolsonaro, pela candidatura eleitoral e por manifestações públicas que provocaram debates e repercussões para além de sua carreira na música.