Lito Sousa, de 59 anos, morreu nesta quinta-feira (1º), após uma rápida evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurológica rara e fatal. Nas semanas que antecederam a morte, o piloto e especialista em segurança aérea enfrentou uma piora progressiva, com perda de visão e de movimentos, mas permaneceu lúcido durante o agravamento do quadro.
A situação chegou a um estágio em que Lito passou a receber cuidados médicos em casa, com a residência adaptada e acompanhamento de um cuidador em tempo integral. A decisão veio depois de sucessivas internações e tentativas de tratamento desde julho, quando ele começou a apresentar perda parcial dos movimentos e dormência no braço esquerdo.
Inicialmente, os médicos suspeitaram de uma inflamação no sistema nervoso central, aparentemente de origem autoimune. Lito chegou a passar por tratamentos intensivos, mas apresentou pouca melhora. Com a progressão dos sintomas, a possibilidade de DCJ ganhou força até que o diagnóstico fosse estabelecido.
A família também tentou encontrar alternativas para retardar a evolução da doença. Em agosto, a mulher de Lito, Mila Seidl, buscou a inclusão dele em estudos clínicos experimentais realizados nos Estados Unidos e na Europa. Naquele momento, porém, os trabalhos não estavam aceitando novos participantes.
Com a perda gradual da autonomia física, a preservação da consciência se tornou uma das características mais marcantes dos últimos dias. Segundo Mila, enquanto o corpo de Lito apresentava novas limitações, ele continuava plenamente consciente e capaz de conversar.
Diante desse cenário, um médico orientou a família a aproveitar os períodos de lucidez para conversar com Lito, fazer planos e estar ao lado dele. O piloto também decidiu conversar com o filho Malone, de 7 anos, e registrou um vídeo público durante o período em que enfrentava a doença.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara causada por alterações de proteínas chamadas príons. A evolução costuma ser rápida, provocando perda progressiva de funções neurológicas. A confirmação definitiva do diagnóstico pode ocorrer por meio de análise neuropatológica após a morte.