Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob, que vitimou o influenciador Lito Sousa, permanece um desafio para a medicina

Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob, que vitimou o influenciador Lito Sousa, permanece um desafio para a medicina

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução / Instagram

Publicado em 01/10/2026 às 18:50

A morte de Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, nesta quinta-feira (1), aos 59 anos, tornou a chamar atenção para a doença rara e de rápida progressão que o vitimou: a Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A condição provoca deterioração das funções cerebrais e permanece um desafio para a medicina pela dificuldade do diagnóstico e pela ausência de tratamentos comprovados capazes de interromper sua evolução.

A doença está relacionada aos príons, proteínas que assumem um formato anormal e induzem outras proteínas a sofrer a mesma alteração. Seu acúmulo no cérebro causa danos e morte de células nervosas. Segundo o Manual MSD, a forma esporádica, que surge sem causa conhecida, corresponde a cerca de 85% dos casos e registra de um a dois novos casos por milhão de habitantes ao ano no mundo.

Identificar a DCJ também é complexo porque os primeiros sinais podem se confundir com os de outras condições neurológicas. Perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para caminhar e espasmos musculares estão entre as manifestações possíveis, mas a piora costuma ser muito mais acelerada do que em outras demências. Ressonância magnética, eletroencefalograma e análise do líquido que envolve o cérebro e a medula ajudam na investigação; a confirmação definitiva depende da análise de tecido cerebral, geralmente após a morte.

Outro obstáculo é a falta de uma terapia eficaz. De acordo com o Ministério da Saúde, nenhuma das propostas estudadas até o momento demonstrou capacidade de alterar a evolução fatal da doença, e aproximadamente 90% dos pacientes morrem em até um ano. O atendimento se concentra no alívio dos sintomas, no controle de complicações e no suporte ao paciente e à família, incluindo cuidados paliativos.

Embora seja frequentemente associada à “doença da vaca louca”, a ligação com carne bovina contaminada diz respeito a uma variante específica da DCJ. A maioria dos casos surge espontaneamente, e também existem formas hereditárias e raras transmissões por procedimentos médicos. Não há evidência de transmissão pelo convívio cotidiano, por abraços, beijos ou compartilhamento de utensílios.

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