Aos 54 anos, Petkovic critica limite de estrangeiros e lembra início da carreira no Vitória, na Bahia

Aos 54 anos, Petkovic critica limite de estrangeiros e lembra início da carreira no Vitória, na Bahia

Redação Alô Alô Bahia

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Dusan Zdravkovic

Publicado em 28/09/2026 às 10:36 / Leia em 4 minutos
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Apelidado de “o gringo mais querido do Brasil”, Dejan Petkovic foi pego de surpresa com a nova regra da CBF que prevê a redução gradual do limite de estrangeiros no futebol brasileiro. Em entrevista ao Estadão, o ex-jogador, de 54 anos, questionou se a medida será suficiente para resolver o que considera um dos principais problemas do futebol nacional, a formação de novos talentos.

Atualmente, os clubes podem relacionar até nove estrangeiros por partida em competições da CBF. O número será reduzido gradualmente até 2030, quando o limite passará a ser de cinco atletas. A proposta tem como justificativa abrir mais espaço para jogadores formados nas categorias de base.

Para Petkovic, porém, a questão vai muito além da presença de estrangeiros nos clubes. Segundo ele, a busca excessiva por resultados prejudica o desenvolvimento dos atletas desde as categorias de base.

“A formação é muito mais vista na Espanha, que formou o próprio Messi, que é estrangeiro”, exemplifica. “Não importa de onde você é. O que importa é o que você apresenta. Lá é performance no campo, cultura de formação. Como você educa, bota conceito e filosofia no jogador. A formação começa a partir de 12 anos”, diz.

“Aqui, a gente tem uma metodologia de formação diferente e forma jogadores diferentes. Filosofia e conceito não se implementam, porque o resultado é o que importa. ‘Eu quero ganhar. Se eu ganho, sou bom técnico.’ E isso é um problema, porque aí você força, na base, os jogadores que são mais altos, mais fortes, e não ensina a eles todo o desenvolvimento que deveriam ter”, comenta Pet.

Na avaliação do ex-jogador, essa lacuna ajuda a explicar por que clubes europeus buscam jovens brasileiros cada vez mais cedo. Ele cita Estêvão, Rodrygo e Endrick como exemplos de atletas que deixaram o Brasil aos 18 anos e completaram parte de sua formação no futebol europeu.

“Por que os times lá da Europa, da Inglaterra ou das principais prateleiras pegam jogadores mais jovens aqui, craques? Porque daqui a três anos, quando se forma lá, ele é formado e já não é mais estrangeiro. Por isso eles vão com 18 anos, o que é o caso do Estêvão, do Rodrygo e do Endrick… ”, explica.

Ao comentar a nova regulamentação da CBF, Petkovic também ponderou sobre a duração e os possíveis efeitos da medida. “A gente não sabe se vai durar, se vai ser implementada e quanto tempo vai ficar em vigor. A gente pode ver que até 2013 a gente teve três estrangeiros, depois disso começou a subir até chegar. Essas mudanças acontecem todo ano”, analisa.

O ex-jogador também questiona a forma como atletas sul-americanos são classificados como estrangeiros no Brasil e defende que os acordos entre países do Mercosul sejam considerados no debate.

“Se o Brasil faz parte do grupo Mercosul, então por que (um argentino ou uruguaio) seria estrangeiro se temos um tratado do Mercosul do Comércio? Ou por acaso é preciso passaporte para viajar aos países vizinhos?”, provoca o sérvio. “Um estrangeiro depois de quatro anos aqui no solo brasileiro trabalhando tem direito de se naturalizar”, diz.

Para Petkovic, o Brasil deveria discutir anualmente as regras e criar um modelo próprio, levando em consideração as características do futebol nacional, em vez de simplesmente reproduzir normas adotadas por grandes ligas europeias. “Quando eu era jogador, os estrangeiros no Brasil eram poucos. Normalmente vinham só os craques, quem fazia a diferença. Hoje já temos estrangeiros que vêm para compor elenco. Então os clubes vão ter mais cuidado na hora de contratar”.

Petkovic e a ligação com a Bahia

Ídolo do Flamengo e estrangeiro com mais jogos na história do Campeonato Brasileiro, com 271 partidas, Petkovic afirma que já não se considera estrangeiro depois de quase três décadas vivendo no Brasil. Ele chegou ao país em 1997 para defender o Vitória, em Salvador, clube pelo qual conquistou o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste em 1999, terminando como artilheiro das duas competições.

Depois de se destacar no Estrela Vermelha e passar pelo Real Madrid, Petkovic construiu uma carreira de destaque no futebol brasileiro. Além dos títulos pelo Vitória, conquistou dois Campeonatos Cariocas, a Copa dos Campeões e o Campeonato Brasileiro de 2009 pelo Flamengo. Ao longo da carreira, recebeu três Bolas de Prata e foi eleito o melhor jogador do Brasileirão de 2009 pelo Troféu Mesa Redonda.

“Sou carioca da gema, pô”, brinca o ex-jogador, que mantém a cidadania sérvia e vive no Brasil de forma praticamente ininterrupta desde a chegada ao país.

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