Caruru de Dona Cira bate recorde e distribui 2 mil porções em celebração de Cosme e Damião

Caruru de Dona Cira bate recorde e distribui 2 mil porções em celebração de Cosme e Damião

Redação Alô Alô Bahia

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com informações do CORREIO

Divulgação

Publicado em 22/09/2026 às 04:18

O cheiro de quiabo, azeite de dendê e temperos tomou conta de Itapuã nesta segunda-feira (21), durante mais uma edição do tradicional Caruru de Cosme e Damião promovido pelo Acarajé da Cira Oficial. Mantida há mais de cinco décadas pela família de Dona Cira, a celebração reuniu moradores, clientes, amigos e devotos e, neste ano, alcançou a maior produção da história da festa.

Ao todo, foram distribuídas cerca de 2 mil porções, entre quentinhas e pratos servidos no local. Para atender à demanda, a cozinha funcionou em ritmo intenso nos dias que antecederam a celebração. Foram utilizados 320 quilos de frango, 20 quilos a mais do que o volume tradicionalmente preparado pela família.

O principal ingrediente do prato também apareceu em grande quantidade: foram usadas 10 mil unidades de quiabo. A receita contou ainda com 35 quilos de feijão-fradinho, além de feijão-preto, feijão-branco, arroz, farofa, banana, inhame e outros acompanhamentos.

“O caruru daqui não diminui. A cada ano ele cresce mais”, afirma Ana Paula Almeida da Cruz, gerente do quiosque e integrante da equipe responsável pela produção.

A tradição começou com Dona Odete, mãe de Dona Cira, muito antes de o tabuleiro da quituteira se tornar um dos símbolos da gastronomia baiana. Ao longo das décadas, Dona Cira manteve o costume e transformou a celebração em um dos momentos mais aguardados do calendário da família.

Após a morte da quituteira, em dezembro de 2020, a celebração continuou sob os cuidados dos filhos Cristiane Santos, Carlinhos Augusto de Jesus, Carlos René, Sidnei Santos e Jucara Santos, atual responsável pela gestão do quiosque oficial.

Parte da equipe que trabalhava com Dona Cira também segue envolvida na produção. É o caso de Ana Paula, que participa da preparação do caruru há cerca de 30 anos e aprendeu os segredos da receita diretamente com a quituteira.

Além da fartura, a celebração preserva rituais ligados à devoção a Cosme e Damião. Um dos momentos tradicionais acontece quando sete meninos são convidados a comer o caruru sentados no chão e usando apenas as mãos, sem talheres. O ritual é repetido todos os anos pela família.

A mesa de doces também ganhou grandes proporções. Foram preparados cerca de 1.200 doces finos, 15 tortas e o tradicional bolo de São Cosme, além de pipocas, pirulitos, cocadas, doces caseiros de frutas e frutas frescas. O investimento total na celebração foi de cerca de R$ 35 mil.

Grande parte do trabalho é realizada de forma voluntária, com a participação de familiares, amigos, vizinhos e admiradores da história de Dona Cira. Entre eles está Eduardo da Silva Espineiro Júnior, de 59 anos, morador de Belém, no Pará. Há mais de 20 anos, ele viaja para Salvador para participar da preparação do caruru.

“Para mim é uma felicidade participar dessa tradição”, conta.

Aberta ao público, a festa não exige convite ou cadastro prévio. A celebração mantém a dinâmica deixada por Dona Cira: quem chega encontra lugar à mesa, em uma tradição que reúne fé, gastronomia e memória da cultura popular baiana.

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