Samba, arte e identidade feirense: evento atrai 4 mil pessoas por edição e celebra aniversário da Princesa do Sertão

Samba, arte e identidade feirense: evento atrai 4 mil pessoas por edição e celebra aniversário da Princesa do Sertão

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

João Bertonie

Divulgação / Neto Pamponet

Publicado em 11/09/2026 às 18:43

Já faz algum tempo que o samba de Feira de Santana vem conquistando os olhares de novas gerações. Uma vez por mês, o Centro de Convenções é o espaço cativo do coletivo Unidos pelo Samba, que produz um encontro que coloca o samba no meio da roda para unir gente que vem de várias regiões da cidade e do seu entorno numa espécie de “festival multicultural” que dura o domingo quase todo. A próxima edição é já neste domingo (13) e tem como tema a celebração do aniversário de Feira.

Nesse encontro, além da já tradicional roda de samba do Unidos, a edição recebe o Samba do Tropeiro, grupo que começou ainda nos anos 1990 no Centro de Abastecimento da cidade, e vai ter também um espaço fotográfico que remete à clássica praça do lambe-lambe, no centro de Feira, com fotos impressas na hora. As crianças vão ter programação especial, com oficinas de arte para colorir, de Slime e de Bobby Goods.

“O que a gente quer é ter esse espaço democrático, em que outras artes se beneficiam do samba. Então, a gente tem artistas plásticos presente, fazemos homenagens ao teatro feirense. Temos sempre muita coisa acontecendo. Fico feliz em ver como a gente passou de um lugar que apenas as pessoas mais conectadas com o samba frequentavam pra ser um verdadeiro festival multicultural”, explica Danillo Ferreira, coordenador geral e diretor criativo do movimento.

Divulgação / Bentô Filmes

Voz ativa na produção e divulgação da cultura feirense há bons anos, Danillo conta que tudo começou em 2015, num ano em que a música sertaneja dominava e todos os bares e espaços da cidade demandavam que os artistas que se apresentavam por lá tocassem o mesmo repertório. “Começamos como uma reunião de vários grupos de samba que resolveram fazer rodas com o samba que a gente gosta. Fomos uma contracorrente na época. E assim a gente cresceu, tocamos em vários espaços de Feira e aos poucos fomos adquirindo público”, detalha.

Hoje o evento ganhou outras proporções: em média, são 4 mil pessoas por edição. “A galera tem aderido não só pelo samba, mas pelo festival em si”, reflete Danillo. Com o tempo, a organização foi ganhando mais envergadura, com mais pontos de distribuição de bebida e até mesmo ações de vigilância de casos de assédio.

Danillo Ferreira, coordenador geral e diretor criativo do coletivo. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Apesar do tamanho e da diversidade do público, uma característica dele ganha destaque: a maioria dos frequentadores é composta por pessoas jovens, muitas vezes ainda universitários. De olho neles, o coletivo passou a ser mais ativo nas redes sociais, interagindo com as pessoas em caixinhas de comentários com um humor ácido e perspicaz, além de brincar com as escolhas de temas para suas edições, com direito a dress code; a cada mês, há novas orientações de cores a serem usadas, e o público costuma segui-las para ficar bem nas fotos. “É bom porque a gente faz com que o público jovem se conecte com a música tradicional”, celebra o coordenador.

Com a próxima edição sendo focada no aniversário de 193 anos da Princesa do Sertão, o coletivo reafirma ainda mais o seu compromisso com a preservação e o empenho na construção do futuro da cultura feirense. “A gente quer estar vinculado à nossa cidade, ao nosso território. É o que faz da gente o que a gente é. A gente recebe muitos convites para tocar em Salvador, mas pensamos que se as pessoas querem ter contato com o Unidos elas podem vir até nossa cidade. É tudo sobre a cultura local”, resume Danillo.

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