Bia Haddad Maia vai passar por uma cirurgia no ombro esquerdo no início de outubro. A tenista, que está afastada das quadras desde Wimbledon, decidiu aproveitar a pausa de seis meses na carreira para tratar uma lesão que provoca dores há mais de dois anos e que se agravou recentemente. Durante o período de recuperação, a paulista também terá uma experiência fora do esporte: ela vai estudar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
A lesão compromete o manguito rotador, conjunto de músculos e tendões que envolve a articulação do ombro. Segundo Bia, o problema chegou a interferir até em situações durante as partidas. “Eu sinto dor até para dormir, então ela está bem chata. Estava insuportável sacar, chegou ao ponto de influenciar até no toss (cara ou coroa) se eu fosse escolher sacar ou receber”, afirmou. Antes de optar pela cirurgia, a atleta passou dois meses afastada para avaliar, junto à equipe, se seria possível tratar a lesão de forma conservadora. A decisão pelo procedimento foi tomada com o médico Gilberto Bang, responsável também por uma cirurgia realizada anteriormente no ombro direito da tenista.
A previsão é de aproximadamente quatro meses de recuperação, período que coincide com o intervalo em que Bia terá o ranking protegido pela WTA. Ainda assim, ela não estabeleceu uma data para retornar ao circuito. A intenção é voltar somente quando estiver totalmente recuperada. “Vou usar o tempo que precisar, não vou voltar 20%, 30%, 40% ou 90%, vou voltar apenas quando estiver 100% de tudo. Não tenho pressa, vou fazer a melhor recuperação possível e usar esse momento para zerar tudo. Quero usar a meu favor para voltar o mais saudável possível”, disse.
Estudos em Harvard durante a pausa
Enquanto estiver longe das competições, Bia também vai retomar os estudos. Formada em administração, ela recebeu uma bolsa para participar de um programa da Universidade de Harvard voltado à gestão esportiva. A oportunidade surgiu por meio de um convite da WTA. “Estou indo para Harvard. A WTA convidou para fazer um MBA, que eles chamam de Crossover into Business, então ele é voltado para Sports Management, então eu apliquei e eu fui aprovada”, contou.
A tenista disse que não havia planejado passar por essa experiência no início do ano, mas decidiu aproveitar o período longe das quadras para aprender e também pensar na vida depois da carreira esportiva. “É algo que eu não havia planejado, se você fosse perguntar em janeiro o que eu faria esse ano, eu acho que nem passaria pela minha cabeça, mas agora é um momento que eu quero aprender, com certeza vai me ajudar muito, até pensando no dia pós-carreira, daqui X anos, quando eu me aposentar”, afirmou.
Bia anunciou a pausa na carreira em 7 de agosto, após uma sequência de resultados negativos em 2026. Atualmente na 154ª posição do ranking mundial, ela disputou 19 partidas na temporada e venceu quatro. Sua última competição foi Wimbledon, Grand Slam disputado na grama londrina, onde perdeu na primeira rodada para a russa Maria Timofeeva. Antes disso, havia sido eliminada nas estreias do Australian Open, Roland Garros, dos WTAs 1000 de Doha, Indian Wells e Miami e dos WTAs 500 de Adelaide, Abu Dhabi e Mérida. A sequência fez a brasileira deixar o top 100 depois de cinco anos.
Longe do circuito, Bia tem aproveitado o período ao lado da família e do agora noivo, Alex Daou. A pausa também mudou sua percepção sobre a própria trajetória. “Nesse momento, ver o tênis de longe ajuda a ter dimensão também do que eu fiz na minha carreira. Quando eu olho para a minha história, sempre fui eu que lutei para buscar, então eu estou começando cada vez mais a me valorizar e eu acho que é um dos motivos pelos quais esse momento está sendo muito importante para mim”, disse ao ge.
Entre os planos para o futuro, a tenista mantém dois sonhos. No esporte, quer conquistar seu primeiro Grand Slam. Na vida pessoal, deseja ser mãe. “Claro que o maior sonho é o Grand Slam. Eu tenho um sonho de ser mãe, mas profissionalmente é ganhar o Grand Slam. No entanto, essa cirurgia é demorada, tenho que ter bastante paciência e é mais um motivo para eu não ter datas definidas e não ter pressa”, concluiu.