Idosa com Alzheimer recupera parte da memória, se apaixona por amigo do colégio e se casa

Idosa com Alzheimer recupera parte da memória, se apaixona por amigo do colégio e se casa

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 04/09/2026 às 13:49

Gail Youngdale vive uma história que reúne memória, tratamento e um reencontro inesperado. Moradora de McKinney, no Texas, nos Estados Unidos, ela convive com Alzheimer em estágio inicial e recuperou grande parte das lembranças após participar de um estudo clínico com lecanemabe, medicamento que na época ainda era experimental e hoje é comercializado nos EUA como Leqembi. No Brasil, o remédio foi aprovado pela Anvisa neste ano.

O tratamento reduziu as placas de beta-amiloide identificadas no cérebro de Gail e trouxe mudanças para sua rotina. “Não recuperei toda a minha memória, mas a maior parte”, contou ao canal KSAT12. Antes, a mulher havia recebido o diagnóstico de comprometimento cognitivo leve e, posteriormente, de Alzheimer em estágio inicial. A mãe dela também teve a doença.

Os primeiros sinais foram percebidos pelos filhos. “Meus filhos começaram a dizer: ‘Mãe, você está fazendo algumas das mesmas coisas que a vovó fazia’”, relatou Gail em uma entrevista anterior. De acordo com Teri Youngdale, filha da paciente, os exames mostravam nove áreas do cérebro com placas de beta-amiloide, proteína associada ao Alzheimer. Depois do tratamento, a família recebeu uma informação inesperada. “Ela tinha nove pontos diferentes de placa amiloide no cérebro. Agora ela não tem placa nenhuma”, contou Teri.

O lecanemabe atua na remoção da beta-amiloide do cérebro e foi aprovado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causados pela doença. Estudos apontaram que o medicamento pode retardar a progressão do declínio cognitivo. O tratamento, porém, exige acompanhamento médico devido à possibilidade de efeitos adversos graves, como inchaços e pequenos sangramentos cerebrais, conhecidos pela sigla ARIA. A retirada das placas também não significa que Gail esteja curada. Segundo a filha, os médicos não observam sinais de que elas estejam voltando a se acumular.

Um reencontro quase 50 anos depois

Enquanto seguia o tratamento e retomava parte da autonomia, Gail também reencontrou uma pessoa que fazia parte de sua adolescência. Phil Mercer era seu amigo dos tempos de escola. Os dois chegaram a ir juntos a um baile, mas não namoraram naquela época. “Quando eu precisei de alguém para me acompanhar e perguntei a ele, ele não hesitou”, lembrou Gail.

Depois daquele período, cada um seguiu sua vida. Os dois se casaram com outras pessoas, formaram suas famílias e passaram décadas sem contato. Quase 50 anos depois, ambos viúvos, voltaram a se encontrar durante uma reunião de antigos alunos da escola. O reencontro terminou com um beijo. “Naquela noite, na reunião, Gail me beijou”, contou Phil, rindo.

A aproximação deu início a um namoro e, posteriormente, ao casamento. No último domingo, 30 de agosto, Gail e Phil comemoraram o primeiro aniversário de casados. Hoje, ele também faz parte da rotina de cuidados da mulher enquanto ela continua o acompanhamento contra o Alzheimer e a ajuda nas tarefas de casa.

Antes do tratamento, Gail havia perdido parte da autonomia. Atividades simples eram acompanhadas por medo, ansiedade e dificuldade para conduzir a própria rotina. Agora, embora continue convivendo com a doença, ela tem mais independência e qualidade de vida. “Ele está aprendendo a cozinhar e eu estou aprendendo a sair da cozinha”, brincou.

A história de Gail integra atualmente uma campanha da BrightFocus Foundation durante o Mês Mundial do Alzheimer, em setembro, voltada à divulgação de pesquisas e novos tratamentos para a doença.

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