A janela do apartamento de Adriana Hidalgo, em Caracas, na Venezuela, virou ponto de encontro para visitantes que chegam sem convite, mas já fazem parte da rotina. Todos os dias, araras selvagens pousam próximas à venezuelana e, em algumas ocasiões, entram no quarto antes de voltar para a cidade. Adriana registra essa convivência no perfil @guacamayas212.
Em um vídeo publicado em 22 de agosto, várias aves aparecem reunidas na janela. Algumas já são conhecidas pela moradora e receberam nomes, como Amadeo e seu filho, Condorito. As visitas também deixam pequenas marcas da passagem pelo apartamento, principalmente sementes de girassol espalhadas pelo local. “Para alguns, é perder tempo… para mim, é ganhar a vida em instantes”, escreveu Adriana ao falar sobre os momentos ao lado das aves.
A relação construída entre a venezuelana e as araras também aparece na descrição do perfil. “Amor com amor se paga”, diz a frase escolhida por Adriana. A proximidade é registrada em diferentes momentos, com as aves pousando na janela e, algumas vezes, entrando no imóvel antes de seguirem novamente livres por Caracas.
Araras fazem parte da paisagem de Caracas
As araras também estão presentes na rotina de outros moradores da capital venezuelana. Segundo a National Geographic, centenas dessas aves vivem soltas pela cidade e podem ser vistas sobrevoando edifícios e pousando em telhados, terraços e janelas. Algumas se tornam conhecidas por moradores que passam a reconhecer e até nomear as visitantes mais frequentes.
A bióloga Malú González, professora da Universidade Simón Bolívar, explicou que a região apresenta uma diversidade incomum de psitacídeos. Ao todo, 17 espécies de araras, papagaios e periquitos já foram registradas voando pela cidade.
Essas aves nem sempre fizeram parte da paisagem urbana de Caracas. De acordo com Malú, algumas das espécies encontradas atualmente na capital são originárias de outras regiões da Venezuela. Uma das hipóteses é que animais mantidos como bichos de estimação tenham escapado ou sido soltos ao longo das décadas. Com o tempo, eles se reproduziram e se adaptaram ao ambiente urbano.
Em 2016, a pesquisadora contabilizou entre 300 e 400 araras-canindé em Caracas. Desde então, a população aumentou. Apesar da proximidade registrada por Adriana, especialistas recomendam cautela na alimentação de animais silvestres, já que a oferta constante de alimentos inadequados pode modificar a dieta e o comportamento natural das aves. Adriana oferece sementes de girassol, alimento que, segundo o relato, as araras gostam e não faz mal.